Moradores relatam medo e vigilância intensa na fronteira com o Brasil
Moradores de Santa Elena de Uairén relatam um aumento da tensão, com policiamento intensificado e um clima de medo. A situação se agrava com relatos de censura e vigilância.
Nos últimos dias, a cidade de Santa Elena de Uairén, na Venezuela, tem se tornado um foco de tensão e medo, especialmente entre os moradores que vivem nas proximidades da fronteira com o Brasil. Com relatos que sugerem um aumento significativo da presença policial e uma série de abordagens consideradas fora do comum, a população local se vê em um clima de apreensão e vigilância constante.
O contexto da tensão em Santa Elena de Uairén
A cidade, que se localiza a poucos quilômetros da divisa com o Brasil, é conhecida por ser um ponto de passagem para muitos venezuelanos que buscam refúgio em território brasileiro. A escalada de tensão, segundo relatos colhidos por nossa equipe, se intensificou nas últimas semanas, coincidentemente com a prisão do presidente Nicolás Maduro. Moradores descrevem um cenário em que a liberdade de expressão se torna cada vez mais restrita, com muitos optando por silenciar suas opiniões sobre a situação política do país.
Ruas que antes eram movimentadas agora refletem um sentimento de medo. A presença de grupos armados, que operam na coleta de propinas para permitir a passagem de pessoas e mercadorias sem a documentação adequada, também contribui para a sensação de insegurança. O clima é reforçado por outdoors que exaltam o governo atual, como um grande cartaz que proclama “Maduro es Pueblo”. Essa propaganda sugere um apoio público que, na prática, parece ser mais um sinal da pressão sobre a população do que um reflexo da realidade.
Detalhes da situação atual
Moradores têm se mostrado cautelosos ao falar sobre política, muitas vezes encerrando conversas com a frase “Está tudo bem”, uma resposta que parece mais uma tentativa de evitar possíveis represálias do que uma verdadeira reflexão sobre a situação. A vigilância não se limita apenas à população em geral; jornalistas que tentam cobrir os eventos na região também enfrentam riscos, com guardas da Força Bolivariana advertindo sobre possíveis detenções para aqueles que se atrevem a entrar na cidade para reportagens.
Em meio a esse cenário de vigilância e repressão, muitos têm buscado garantir sua segurança através da compra e armazenamento de alimentos, temendo a possibilidade de um toque de recolher ou outras restrições. Um mototaxista local comentou que, antes, fazia cerca de R$ 160 por dia, mas que, atualmente, seu rendimento mal atinge R$ 60, refletindo o impacto da crise econômica e das tensões sociais.
A sensação de que algo pode mudar rapidamente paira sobre a cidade, levando muitos a se prepararem para o pior. As interações sociais estão cada vez mais marcadas pela desconfiança, e os moradores se veem forçados a adaptar suas vidas a uma nova realidade de medo e incerteza.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Natália Fuhrmann, especial para o Metrópoles
