A frota de motocicletas no Brasil apresentou um crescimento significativo de 46,8% na última década, conforme dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). Este aumento é atribuído principalmente à demanda por opções de transporte mais acessíveis e à expansão de atividades autônomas, incluindo serviços de entrega.
Em números absolutos, a quantidade de motocicletas em circulação no país subiu de 26,1 milhões em 2017 para 38,3 milhões até a primeira metade de 2026. Paralelamente, o número de motoristas habilitados na categoria A, que permite a condução de veículos de duas ou três rodas, cresceu 39%, passando de 30,7 milhões para 42,7 milhões de condutores.
O estudo também revelou mudanças notáveis no perfil geográfico dos motociclistas. Alagoas destacou-se com o maior aumento percentual na emissão de carteiras da categoria A nos últimos dez anos. No estado, as mulheres apresentaram um crescimento de 233,6% nas habilitações, enquanto os homens tiveram um aumento de 72,9%. O Amazonas ocupa a segunda posição no ranking nacional de crescimento.
Marcos Bento, presidente da Abraciclo, ressaltou a importância das motocicletas como uma alternativa acessível e eficiente para milhões de brasileiros que utilizam esse meio de transporte para suas atividades diárias, como trabalho e estudo. Os dados evidenciam a relevância do setor para a economia nacional.
Entretanto, o aumento no uso de motocicletas também traz desafios, especialmente em relação à segurança no trânsito. Com milhões de motociclistas nas ruas, especialistas e entidades do setor enfatizam a necessidade de políticas públicas que promovam a educação no trânsito, a manutenção preventiva dos veículos e o cumprimento rigoroso das leis de trânsito. Essas medidas são fundamentais para a redução de acidentes, tanto em áreas urbanas quanto em rodovias.
Além disso, um estudo do Move Brasil indica que 40% das entregas realizadas no país dependem de motocicletas com mais de 10 anos de uso, o que levanta questões sobre a segurança e a eficiência desses veículos mais antigos no transporte de mercadorias.