Crescimento nos EUA impulsionado por IA traz otimismo e alertas geopolíticos

Mansueto Almeida analisa o cenário econômico global para 2026, destacando o papel da inteligência artificial e os riscos internacionais

Mansueto Almeida destaca crescimento dos EUA em 2026 impulsionado pela inteligência artificial, mas alerta para riscos geopolíticos e estagnação do petróleo.

Em um cenário marcado por tensões internacionais e desafios econômicos, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, traça uma análise sobre as perspectivas para a economia global em 2026, ressaltando que o crescimento nos EUA impulsionado por IA pode ser um fator-chave para o ano.

Crescimento dos EUA puxado pela inteligência artificial

Mansueto destaca que a economia norte-americana deve crescer cerca de 2% em 2026, um desempenho surpreendente no período pós-pandemia. Esse crescimento é fortemente impulsionado por investimentos em inteligência artificial, que abrangem toda a cadeia produtiva, incluindo energia, data centers e software. Essa dinâmica cria um ambiente propício para inovação e expansão econômica, diferenciando os EUA da performance mais fraca observada na Europa.

Riscos inflacionários e política monetária

Embora o cenário seja otimista, o economista alerta para riscos inflacionários decorrentes do impacto das tarifas comerciais, que embora menores que o esperado, ainda influenciam os preços. Além disso, o mercado de trabalho ainda aquecido contribui para a pressão sobre os preços. Em resposta, o Federal Reserve pode realizar até dois cortes na taxa de juros, reduzindo-a para cerca de 3%, caso a inflação ceda. No entanto, se a inflação se mostrar resiliente, apenas um corte poderá ser implementado.

Geopolítica e seus impactos na economia global

A instabilidade geopolítica permanece como uma preocupação central para Mansueto. Conflitos como a guerra na Ucrânia, o conflito Israel-Hamas, bombardeios no Irã e as tensões entre EUA e China criam um ambiente de incerteza. Contudo, ele ressalta que as interdependências econômicas, como a dependência chinesa das exportações para os EUA e o fornecimento de terras raras, podem promover a moderação e o bom senso nas relações internacionais.

Estagnação e desafios no mercado de petróleo

A recente captura de Nicolás Maduro na Venezuela, embora politicamente relevante, teve impacto limitado nos mercados e nos preços do petróleo. Segundo Mansueto, a infraestrutura do setor petrolífero venezuelano está em colapso, com a produção reduzida para cerca de 1 milhão de barris diários ante 4 milhões anteriormente, necessitando de investimentos da ordem de US$ 100 bilhões para recuperação. O petróleo pesado venezuelano, de extração cara, enfrenta preços baixos, próximos a US$ 60 por barril, tornando sua exploração inviável sem subsídios. Para 2026, o preço do petróleo deve permanecer estável entre US$ 55 e 60, o que não contribui para uma redução da inflação global.

Oportunidades e desafios para mercados emergentes

No contexto global, a diversificação de portfólios tem favorecido os mercados emergentes, incluindo o Brasil, que viu valorização de suas moedas e bolsas de valores mesmo diante de um ambiente internacional turbulento. Mansueto observa que, apesar da inflação ter terminado 2025 em 4,3% e a Selic em 15%, o desempenho da bolsa brasileira foi positivo. Para 2026, se os riscos globais não se agravarem, é possível repetir esse padrão. O economista também alerta para debates internos nos EUA, como a independência do Federal Reserve, que podem enfraquecer ainda mais o dólar, cenário que pode beneficiar os emergentes.

Essa análise reforça a importância de acompanhar tanto os avanços tecnológicos que impulsionam o crescimento quanto os riscos políticos e econômicos que podem afetar a estabilidade global em 2026.

Fonte: www.moneytimes.com.br

PUBLICIDADE

VIDEOS

JOCKEY

Relacionadas: