CRIANÇAS DE GAIA: O QUE ESTAMOS FAZENDO COM A INFÂNCIA?

Existe uma pergunta que poucos pais fazem — e que talvez seja a mais importante de todas: por que tantas crianças estão adoecendo emocionalmente?

Ansiedade, dificuldade de atenção, alterações de sono, irritabilidade, regressões no desenvolvimento. O que antes era exceção tornou-se rotina nos consultórios. O próprio material apresentado pelo Dr. Pablo Llompart mostra que transtornos como autismo, TDAH e ansiedade cresceram de forma consistente nas últimas décadas, alcançando prevalências que chegam a cerca de 1 em cada 30 crianças em algumas populações.

Isso não pode ser tratado como normal.

O Dr. Pablo Llompart parte de um ponto essencial: a saúde infantil não se constrói apenas com estímulos cognitivos ou intervenções médicas. Ela depende de fatores biológicos básicos — sono adequado, luz natural, nutrição, movimento, vínculo afetivo e ambiente emocional seguro.

Parece simples. Mas não é o que estamos oferecendo às crianças.

Vivemos em uma sociedade que trocou natureza por telas, rotina por estímulo constante e presença por distração digital. O próprio documento destaca que a exposição excessiva a telas está associada a atrasos de linguagem, problemas de atenção e dificuldades sociais, especialmente quando ocorre nas primeiras idades ou próximo ao horário de dormir.

O cérebro infantil é plástico — ou seja, ele se molda conforme o ambiente. Essa plasticidade é uma bênção, mas também uma vulnerabilidade. O Dr. Pablo Llompart explica que inflamações, toxinas ambientais, disbiose intestinal e deficiências nutricionais podem interferir no metabolismo cerebral, prejudicando aprendizado, comportamento e regulação emocional.

Em outras palavras: o corpo e o cérebro não são separados.

Outro ponto central defendido pelo Dr. Pablo Llompart é que muitas crianças vivem em estado de hiperalerta fisiológico. Ansiedade crônica, sono fragmentado e excesso de estímulos mantêm o sistema nervoso em modo de sobrevivência — e um cérebro em sobrevivência não aprende, não regula emoções e não se desenvolve plenamente.

Aqui surge um conceito poderoso: crianças precisam de segurança biológica antes de qualquer intervenção pedagógica.

Rotina previsível, contato com a natureza, movimento livre, expressão emocional e vínculos afetivos são reguladores neurológicos tão importantes quanto qualquer terapia formal.

Isso muda completamente a perspectiva.

Não estamos falando apenas de tratar sintomas. Estamos falando de reconstruir o ambiente onde a infância acontece.

O Dr. Pablo Llompart também propõe uma visão integrativa, onde abordagens médicas, nutricionais, psicológicas e energéticas podem coexistir, sempre com o objetivo de restaurar o equilíbrio global da criança — físico, emocional e neurobiológico.

Independentemente de concordâncias ou divergências com cada método específico, existe uma mensagem central impossível de ignorar: a infância moderna está biologicamente sobrecarregada.

E nenhuma sociedade pode permanecer saudável quando suas crianças não estão.

Talvez a pergunta mais urgente não seja “como tratar nossos filhos”, mas sim: que tipo de mundo estamos construindo para eles?

Porque crianças não adoecem sozinhas.

Elas adoecem dentro do ambiente que criamos.

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