Crise da água atinge falência hídrica global com impactos severos

Agência SP

Pesquisadores alertam para uso insustentável da água doce e consequências ambientais e sociais

A crise da água alcançou um ponto crítico com a falência hídrica global, impactando bilhões e ameaçando a segurança alimentar e ambiental.

O planeta atravessa uma crise da água em um estágio crítico descrito por pesquisadores como “falência hídrica”, resultado do uso insustentável dos recursos hídricos doces. Estudos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU) evidenciam que múltiplas regiões não conseguem se recuperar da escassez frequente, agravada pelas mudanças climáticas e pelo consumo que supera a capacidade natural de reposição.

Escassez estrutural e seus impactos globais

Atualmente, cerca de 4 bilhões de pessoas enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano, o que corresponde a quase metade da população mundial. Reservatórios apresentam níveis críticos, colheitas agrícolas são comprometidas, racionamentos se tornam frequentes, e fenômenos como afundamento do solo e aumento de incêndios florestais são observados em diversas regiões.

Cidades como Teerã, no Irã, e grandes centros urbanos dos Estados Unidos, dependentes do rio Colorado, exemplificam o stress hídrico crônico, causando tensões políticas e sociais. A falência hídrica ultrapassa a mera falta temporária de água, configurando-se como um desequilíbrio crônico em que a retirada contínua excede a reposição natural, deteriorando sistemas essenciais como aquíferos e zonas úmidas.

Afundamento do solo e perda irreversível de aquíferos

Um efeito menos perceptível, porém grave, é a subsidência – o afundamento gradual do solo devido à extração excessiva de água subterrânea. Em locais como Cidade do México, o solo afunda cerca de 25 centímetros por ano. Relatórios indicam que mais de 6 milhões de quilômetros quadrados sofrem afundamento, afetando aproximadamente 2 bilhões de habitantes globalmente.

Agricultura e o consumo hídrico exacerbado

A agricultura consome cerca de 70% da água doce disponível mundialmente. A redução da disponibilidade hídrica torna a produção mais cara e instável, com impactos diretos no emprego, na segurança alimentar e na estabilidade social. Áreas agrícolas irrigadas sob estresse hídrico alto abrangem mais da metade da produção global de alimentos, ameaçando a subsistência de bilhões.

Degradação das zonas úmidas e aumento da poluição

O planeta perdeu mais de 4,1 milhões de quilômetros quadrados de zonas úmidas nas últimas cinco décadas. Tais áreas são cruciais para armazenar água, controlar inundações, filtrar poluentes e sustentar ecossistemas. A degradação ambiental, associada à poluição e à salinização do solo, tem tornado fontes hídricas inadequadas para consumo humano e uso agrícola.

Urgência na mudança da gestão hídrica

Apesar do cenário alarmante, a extração de água continua a crescer para sustentar a expansão urbana, agrícola, industrial e tecnológica, incluindo centros de dados para inteligência artificial.

Especialistas defendem uma transformação profunda na administração dos recursos hídricos, incluindo a definição de limites reais de uso, proteção rigorosa de zonas úmidas e aquíferos, redução do consumo com base em critérios de justiça social e o emprego de monitoramento por satélite para avaliação contínua dos recursos.

Cidades, sistemas alimentares e economias precisam ser redesenhados para operar dentro dos limites naturais disponíveis, sob risco de aumento dos conflitos, insegurança alimentar e crises humanitárias.

Fonte: baccinoticias.com.br

Fonte: Agência SP

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