Crise das sementeiras e alta do boi gordo marcam agro em 2026

Desafios financeiros, valorização da carne e crescimento do etanol de milho dominam análise do setor

Crise das sementeiras, valorização do boi gordo e expansão do etanol de milho apontam cenário desafiador para o agro em 2026.

O agronegócio brasileiro inicia 2026 em meio a um quadro que mistura desafios financeiros e oportunidades de mercado. A “crise das sementeiras”, termo que ganhou destaque, revela a pressão sofrida por empresas do setor por conta dos altos juros e margens de lucro reduzidas.

O impacto da crise das sementeiras nas operações do agro

Ivo Brum, CFO da SLC Agrícola (SLCE3), ressaltou que o momento atual é marcado por um ciclo de “vacas magras” no agronegócio. Segundo ele, o custo elevado do capital de giro é um gargalo crítico, especialmente para as companhias de sementes, que enfrentam dificuldades financeiras agravadas pelo ciclo econômico prolongado e pela necessidade de manter operações diante da queda nos preços.

“O ciclo é longo e o capital de giro está muito caro. Você vende com margens mais baixas, pressionado pelos preços, e o custo financeiro começa a gerar problemas. Não me surpreende que várias sementeiras estejam enfrentando dificuldades”, afirmou Brum.

Valorização dos contratos futuros do boi gordo

Enquanto o setor de sementes encara dificuldades, o mercado de carne bovina apresenta movimentos positivos. Os contratos futuros do boi gordo na B3 tiveram alta significativa nos últimos dois pregões. O contrato para fevereiro (BGIG26) subiu 2,04%, alcançando R$ 325,20, enquanto os de maio (BGIK26) e outubro (BGIV26) também registraram avanços.

Esse movimento reflete ajustes na oferta e demanda, além das expectativas dos investidores em relação ao mercado da carne, que permanece como um dos pilares do agronegócio brasileiro.

Reavaliação das ações no setor agrícola

No contexto financeiro, o Itaú BBA adotou uma postura mais conservadora, rebaixando a recomendação para a Boa Safra (SOJA3) de compra para neutro e cortando o preço-alvo da ação de R$ 15 para R$ 10. Essa decisão está alinhada com a percepção de um ambiente desafiador para produtores rurais durante o ciclo 2025/26, refletindo maior cautela dos investidores diante da conjuntura atual.

Expansão do etanol de milho e seus efeitos no mercado de açúcar

Outro destaque é o crescimento do mercado de etanol de milho no Brasil, tema de análise do Rabobank no relatório “Corn ethanol in Brazil – yellow alert for sugar?”. O banco alerta para um possível desequilíbrio no mercado de etanol, que pode impactar negativamente a indústria do açúcar nacional e internacionalmente.

A expansão do etanol à base de milho representa uma mudança importante no setor de biocombustíveis, com potencial para alterar as dinâmicas de preços e produção, exigindo monitoramento cuidadoso dos agentes envolvidos.

Movimentações financeiras e estratégias para 2026

Além das questões específicas de commodities, o agronegócio como um todo passa por um período em que a manutenção de liquidez e o planejamento estratégico são fundamentais para atravessar a fase de preços pressionados e juros elevados.

Empresas como a Minerva Foods (BEEF3) movimentam capital para fortalecer suas estruturas, como o aumento de capital homologado recentemente, que reforça a capacidade financeira diante do cenário atual.

A combinação desses fatores evidencia que 2026 será um ano de desafios e adaptações para o setor, com movimentos de mercado que podem definir o rumo do agronegócio brasileiro nos próximos ciclos.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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