Primeiro-ministro húngaro chama presidente ucraniano de "homem desesperado" após troca de farpas no Fórum Econômico Mundial
Críticas de Orbán a Zelensky marcam confronto verbal em Davos, com o húngaro rejeitando apoio à guerra e reafirmando postura crítica à Ucrânia.
O Fórum Econômico Mundial em Davos, no dia 22 de janeiro de 2026, foi palco de um momento tenso entre dois líderes europeus: o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky. As críticas de Orbán a Zelensky entraram em foco após uma troca de farpas pública que expôs divergências profundas sobre a guerra na Ucrânia e as políticas adotadas no âmbito da União Europeia.
A troca de críticas em Davos
Durante seu discurso no fórum, Zelensky acusou Orbán de “trair os interesses europeus”. Segundo o presidente ucraniano, Orbán se beneficia dos recursos da União Europeia enquanto se opõe às sanções impostas contra a Rússia, o que enfraquece a união europeia diante do conflito que assola a Ucrânia há quatro anos. Zelensky afirmou ainda que forças internas do bloco tentam “destruir a Europa” e direcionou críticas incisivas ao primeiro-ministro húngaro, dizendo que “todo Viktor que vive às custas do dinheiro europeu enquanto tenta trair os interesses europeus merece um tapa na cabeça”.
Em resposta, Orbán rebateu com um tom igualmente contundente. Em mensagem publicada no Twitter, classificou Zelensky como “um homem em situação desesperadora” e afirmou não acreditar que um entendimento entre eles seja possível. “Sou um homem livre a serviço do povo húngaro”, destacou. Orbán disse que, apesar do apoio dos Estados Unidos, Zelensky está “incapaz ou relutante” em pôr fim à guerra. Ele também afirmou que a Hungria não apoiará os esforços de guerra de Kiev.
A posição húngara sobre a guerra
O governo de Viktor Orbán mantém uma postura crítica dentro da União Europeia em relação ao conflito na Ucrânia. A Hungria, ao contrário da maioria dos países europeus, tem resistido a ampliar seu apoio militar e financeiro a Kiev. Em 2025, Budapeste anunciou o redirecionamento de sua contribuição de 1,5 milhão de euros ao Mecanismo Europeu de Paz para as Forças Armadas do Líbano, justificando que sua prioridade é a estabilidade no Oriente Médio e não o financiamento da guerra na Ucrânia.
Apesar da rejeição ao apoio bélico, Orbán garantiu que a Hungria continuará fornecendo eletricidade e combustível à Ucrânia, além de manter o apoio aos refugiados ucranianos acolhidos no país. “A própria vida resolverá o resto, e cada um receberá o que merece”, concluiu o premiê.
Contexto diplomático e próximos passos
Além da troca de palavras entre Orbán e Zelensky, o presidente ucraniano participou de reuniões importantes em Davos, incluindo um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelensky afirmou que um acordo sobre garantias de segurança pós-guerra estaria próximo da conclusão, embora sem assinatura formal até o momento.
O líder ucraniano também comunicou que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, viajou para Moscou para dialogar com o presidente Vladimir Putin, abrindo portas para a possibilidade da primeira reunião trilateral entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia, a ser realizada nos Emirados Árabes Unidos.
Implicações para a União Europeia
O episódio em Davos expõe as fragilidades do posicionamento europeu diante do conflito na Ucrânia. Enquanto a maioria dos países apoia Kiev com sanções econômicas e ajuda militar, a Hungria se destaca por adotar postura distinta, priorizando interesses nacionais e objetivos diplomáticos próprios. As críticas de Orbán a Zelensky refletem não apenas uma discordância pessoal, mas uma tensão política que pode influenciar as dinâmicas futuras dentro da União Europeia e o desenrolar das negociações de paz na região.
A continuidade desse impasse complica esforços multilaterais para uma resolução rápida do conflito e indica que o equilíbrio entre solidariedade europeia e interesses nacionais seguirá sendo um desafio nas próximas fases do cenário geopolítico.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida mostra o premiê da Hungria, Viktor Orbán
