A relação entre Cuba e EUA é colocada à prova em meio a tensões políticas.
Cuba está atenta às implicações do recente ataque dos EUA à Venezuela, refletindo sobre sua própria história com a intervenção americana.
A recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, trouxe à tona tensões históricas que Cuba conhece bem. O país, liderado por Miguel Díaz-Canel, observa com preocupação a possibilidade de uma nova era de intervenções americanas em sua vizinhança, recordando a fracassada invasão de 1961 na Baía dos Porcos.
O legado da Baía dos Porcos
A Baía dos Porcos, um local com um passado repleto de simbolismo para os cubanos, foi o cenário de uma tentativa de derrubar Fidel Castro, que terminou em um fiasco. Para muitos cubanos, essa invasão é lembrada como um momento de resistência, onde o país mostrou que não temia a intervenção americana. Dulce María Limonta del Pozo, diretora do Museu Girón, enfatiza que esse evento foi fundamental para moldar a percepção cubana sobre a política dos EUA na região.
A nova realidade política
Com a ascensão de Trump ao poder, a doutrina Monroe, que defende a influência dos EUA na América Latina, foi reavivada. O próprio Trump fez declarações insinuando que o governo cubano poderia desmoronar em breve, devido à dependência de Cuba do petróleo venezuelano. Isso gerou temores sobre um possível aumento das sanções e uma nova onda de hostilidade.
- Relações entre Cuba e Venezuela:
Venezuela fornece petróleo subsidiado a Cuba, essencial para sua economia. Cuba envia médicos e profissionais de segurança para a Venezuela.
A pressão econômica em Cuba
Os efeitos das sanções dos EUA e a crise venezuelana estão sendo sentidos nas ruas de Cuba. A escassez de alimentos e medicamentos se tornou uma realidade diária, exacerbada pela falta de recursos que antes eram garantidos pelo apoio venezuelano. Fabiana Hernández Ortega, uma residente de Playa Girón, expressou a dificuldade de obter suprimentos básicos, refletindo a luta diária dos cubanos. “Estamos lutando por nossas vidas”, afirmou.
Expectativas para o futuro
Analistas afirmam que o colapso da Venezuela poderia ser uma estratégia para desestabilizar o regime cubano. Raul Rodríguez, do Centro de Estudos Hemisféricos e dos EUA, argumenta que a esperança nas altas esferas do governo dos EUA é que a crise venezuelana leve à queda do governo cubano. No entanto, os cubanos permanecem resilientes, cientes de sua história e dispostos a enfrentar os desafios que se aproximam.
Cuba, assim como em 1961, permanece atenta e vigilante, ciente de que a história pode se repetir, mas também determinada a lutar por sua soberania e dignidade.
Fonte: www.npr.org
Fonte: AP hide caption toggle caption
