Formada em Produção Multimídia e especialista em Marketing Digital, Camila Araújo conta como transformou o design em uma ferramenta de posicionamento e compartilha lições reais sobre a jornada de empreender
Criar algo bonito enche os olhos, mas, no mundo dos negócios, apenas a estética não sustenta uma empresa no mercado. Foi percebendo essa lacuna que a designer Camila Araújo decidiu dar um passo além. Formada em Produção Multimídia e com pós-graduação em Marketing Digital, ela entendeu que a identidade visual precisa carregar estratégia, essência e o propósito de quem está por trás do negócio.
Dessa visão nasceu o Cá Estúdio, um espaço dedicado à criação, gestão e proteção de marcas estratégicas e exclusivas. Em um papo sincero sobre os bastidores da profissão, Camila compartilha seus aprendizados, os desafios de precificar o próprio trabalho e a importância de olhar para a marca como um ativo de valor.
Do visual ao estratégico
Para Camila, a transição entre entregar uma peça gráfica e construir uma marca completa aconteceu de forma natural ao observar o impacto do posicionamento na percepção dos clientes.
“Eu sempre gostei muito de criar, mas com o tempo percebi que o design podia fazer muito mais por um negócio do que simplesmente deixá-lo bonito. Estudando e aplicando, comecei a entender que por trás de uma identidade visual existe posicionamento, percepção de valor, estratégia e, principalmente, a história daquele negócio”, explica.
Na prática, a diferença entre ter um logo bonito e uma identidade estratégica está na intenção de cada detalhe. Segundo a designer, as escolhas de cores, tipografias e elementos visuais precisam conversar entre si para transmitir uma mensagem antes mesmo que o cliente leia o texto. É essa construção que gera diferenciação no mercado e conexão com o público certo.
Desafios e valorização do trabalho autoral
Com mais de sete anos de caminhada no design, empreender com algo autoral trouxe aprendizados profundos. O maior deles foi aprender a precificar e valorizar o próprio conhecimento. Por envolver uma carga criativa pessoal, nem sempre o mercado enxerga de imediato o estudo e o planejamento por trás de uma entrega.
“Já tive momentos de insegurança e de questionar se estava no caminho certo. Mas hoje entendo que empreender não significa nunca ter medo ou vontade de desistir. Significa continuar mesmo quando essas coisas aparecem, aprender com elas e encontrar novas formas de seguir em frente”, reflete.
Para quem está começando agora e ainda não tem orçamento para investir em um projeto completo de branding, Camila aponta que o ponto de partida deve ser a clareza. Antes de escolher cores ou movimentar as redes sociais, o empreendedor precisa entender quem ele é, a quem deseja atender, qual problema resolve e por que o cliente deveria escolhê-lo. Organizar a mensagem e manter a consistência na comunicação já faz uma grande diferença na rotina, enquanto a empresa se estrutura para dar o próximo passo profissional no futuro.
Outro ponto fundamental destacado pela profissional é a atenção ao registro da marca. Muitas vezes, o pequeno empresário foca apenas na parte visual e esquece a proteção legal do nome que está construindo.
“Não adianta investir na construção de uma marca, começar a ganhar reconhecimento e depois descobrir que aquele nome não pode ser utilizado ou que outra empresa já possui direitos sobre ele. A marca é um ativo do negócio. Nome, identidade, posicionamento, comunicação e proteção precisam caminhar juntos.”
A rotina da empresa também trouxe ensinamentos que os livros de faculdade não mostram. A técnica e a teoria ajudam na execução, mas a rotina de um negócio exige jogo de cintura para lidar com finanças, vendas, negociação, parcerias e tomada de decisões diárias.
“A faculdade e a pós me ensinaram sobre técnica, mas empreender me ensinou que ninguém vai cuidar do seu negócio com a mesma intensidade que você. Aprendi também que não dá para esperar estar 100% pronta para fazer algo… muitas vezes, a gente aprende fazendo.”
Hoje, ao selecionar os projetos que entram no estúdio, Camila prioriza parcerias baseadas em respeito, confiança e troca, buscando clientes que enxerguem o design não como um custo, mas como um investimento no futuro do próprio negócio.
3 Dicas para empreender no Brasil
Para fechar nosso bate-papo, Camila deixou três conselhos práticos para quem quer encarar os desafios do mercado nacional:
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Comece, mesmo sem se sentir completamente pronto: Você vai aprender muita coisa pelo caminho. Esperar o momento perfeito pode fazer você perder oportunidades valiosas.
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Aprenda a vender e a falar sobre o seu trabalho: A técnica é essencial, mas sem vendas o negócio não se sustenta.
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Invista na construção de bons relacionamentos: Faça networking genuíno. Conheça a história das pessoas, aprenda com elas e se coloque à disposição para contribuir de forma verdadeira.

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Fonte: Camila Araújo. / Fotos: Divulgação.