Davi Alcolumbre (União-AP) demonstrou apoio ao senador Jaques Wagner (PT-BA) após este ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal na quinta-feira (18). A analista de Política Isabel Mega considera que essa manifestação de Alcolumbre foi um "gesto calculado" por parte do presidente do Senado. Ela analisou que, ao longo da última semana, diferentes setores da política têm se posicionado, refletindo um sentimento de união entre os parlamentares, especialmente no Senado.
Na quinta-feira, Alcolumbre interrompeu uma sessão no Plenário para se dirigir à imprensa e comentar a situação de Wagner. Isabel Mega destacou que essa postura não é comum para o presidente do Senado, ressaltando que se trata de um gesto de retribuição ao apoio que Wagner havia demonstrado a ele no início da semana. Em uma sessão na terça-feira (16), Alcolumbre já havia usado o espaço do Senado Federal para se defender de acusações associadas ao caso Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recebendo apoio de colegas que variavam entre o PT e o PL.
Além da reciprocidade entre Alcolumbre e Wagner, a analista mencionou que esse gesto também pode ser interpretado como um sinal ao Palácio do Planalto, indicando que Alcolumbre está interessado em dialogar pessoalmente com Lula. A relação entre o presidente do Senado e o governo federal tem se mostrado tensa, marcada por desavenças entre ele e Wagner, além da rejeição à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
De acordo com interlocutores do Planalto, há a expectativa de que Lula possa ter um encontro com Alcolumbre após seu retorno ao Brasil, na sequência da participação no G7. Isabel Mega informou que há um desejo claro por parte de Alcolumbre de tratar assuntos diretamente com o presidente. Entre os tópicos que poderiam ser abordados estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim de medidas polêmicas.
Aliados de Lula, por sua vez, argumentam que Wagner e Lula possuem posturas distintas e que, diferentemente da situação envolvendo Flávio Bolsonaro e o vazamento de conversas com Vorcaro, o presidente não está diretamente implicado nos escândalos associados ao caso Master. A analista ressaltou que a classe política está dividindo o ônus do que se tornou o caso, que é considerado um elemento sensível.
Outro aspecto relevante discutido por Isabel Mega foi o futuro de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado. Havia a expectativa de que ele pudesse renunciar ao cargo após ser alvo da operação da PF. Em entrevista à Band News, Wagner afirmou que deixaria a decisão nas mãos de Lula, com quem teria conversado previamente, indicando sua intenção de permanecer na liderança.