O lançamento do clipe musical "Petal", da cantora Ariana Grande, em 31 de julho, trouxe à tona uma série de críticas sobre a sua aparência, especialmente em relação à sua suposta "magreza excessiva". Essa repercussão nas redes sociais reacendeu o debate sobre transtornos alimentares, que são condições psiquiátricas que envolvem alterações persistentes no comportamento alimentar e na relação com a comida, peso e imagem corporal.
Esses distúrbios, que podem resultar em comportamentos prejudiciais à saúde, como restrições alimentares severas e episódios de compulsão, afetam cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, conforme dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Na mesma semana em que as críticas surgiram, Ariana Grande anunciou uma pausa em sua carreira, afirmando que as opiniões negativas não afetariam suas vivências artísticas.
Para compreender melhor os sinais, a origem e o tratamento de transtornos alimentares, Tatiane Coelho, psicóloga e neuropsicóloga, foi consultada. Ela destaca que esses distúrbios têm raízes mais profundas, indo além da simples questão da alimentação ou da aparência física. A especialista ressalta a importância da saúde mental e do autoconhecimento, enfatizando que cada indivíduo constrói sua história a partir de fatores biológicos, emocionais, familiares e sociais.
Tatiane Coelho explica que experiências positivas podem fortalecer recursos internos, enquanto vivências difíceis, se não elaboradas, podem deixar marcas emocionais que impactam a autoestima e a relação com o corpo e a alimentação. A neuropsicologia considera que o comportamento alimentar é apenas "a ponta do iceberg", com processos cognitivos e emocionais mais complexos por trás.
A especialista também aponta que a construção de uma rede de apoio sólida é essencial para o tratamento de crianças e adolescentes, além da importância de um ambiente que não se baseie em críticas sobre peso ou aparência. Nesse sentido, familiares e amigos desempenham um papel crucial, devendo observar mudanças de comportamento e proporcionar acolhimento sem julgamentos, além de incentivar a busca por avaliação profissional ao notarem sinais de alerta.
Para crianças e adolescentes, os pais são referências significativas na formação da identidade e saúde emocional. Portanto, uma dinâmica familiar pautada no diálogo e acolhimento pode mitigar a influência negativa das redes sociais na autoimagem e autoestima dos jovens.