Decisão de Dias Toffoli sobre provas no caso master gera preocupação entre peritos

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Peritos criminais federais alertam para riscos técnicos na análise dos materiais apreendidos pela PGR

Peritos federais criticam decisão de Dias Toffoli que transferiu análise de provas do caso Master para a PGR, alertando sobre riscos de perda de vestígios.

Contexto da decisão Dias Toffoli e impacto na análise das provas do caso Master

A decisão Dias Toffoli de remeter a responsabilidade pela análise dos materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero para a Procuradoria-Geral da República (PGR) tem gerado forte preocupação entre os peritos criminais federais, especialmente os ligados à Polícia Federal. Essa medida, adotada em 15/01/2026, afeta diretamente a forma como os dispositivos eletrônicos, como telefones e computadores, serão examinados, colocando em risco a integridade das provas e a continuidade da investigação penal. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) destacou que a ausência da perícia oficial pode levar à perda de vestígios técnicos irrepetíveis.

Preocupações técnicas e operacionais levantadas pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais

Segundo comunicado oficial da APCF, a postergação no envio dos materiais apreendidos ou a realização dos exames fora das unidades oficiais de criminalística pode comprometer a qualidade da perícia. A análise de aparelhos que estejam ativos ou desbloqueados recentemente, por exemplo, requer rapidez e condições técnicas específicas para garantir a preservação das evidências. A associação ressaltou que, embora reconheça a importância do Ministério Público Federal na formação da opinião jurídica, não cabe ao órgão acusador elaborar provas a partir da análise dos vestígios, função que pertence às perícias criminais especializadas.

Detalhes da operação e principais investigados no caso Banco Master

A Operação Compliance Zero, deflagrada em 14/01/2026, teve 42 alvos e focou em supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Entre os investigados estão Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira, o empresário Nelson Tanure e outras figuras relevantes do setor financeiro, como João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. A ação incluiu buscas e apreensões em diversos endereços, além da prisão temporária do investidor Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. A Polícia Federal também realizou bloqueio e sequestro de bens avaliados em mais de R$ 5,7 bilhões, incluindo carros importados e armas de fogo.

Consequências práticas da decisão para a Polícia Federal e para o andamento das investigações

Com a decisão de Dias Toffoli, a Polícia Federal perde o acesso imediato aos materiais apreendidos, que agora ficarão sob custódia da PGR. O ministro determinou que os aparelhos sejam mantidos carregados e desconectados de redes para preservar o conteúdo, porém, a ausência da perícia oficial da PF representa um desafio operacional. A medida também autorizou o envio direto do material à PGR e notificou a direção da PF para as providências necessárias. Essa mudança pode atrasar a análise técnica e, consequentemente, o avanço das investigações criminais relacionadas ao caso.

Ações judiciais paralelas e bloqueios determinados no curso da investigação

Além da análise das provas, o ministro Dias Toffoli ordenou a expedição de carta de ordem ao Juízo Federal da 8ª Vara Criminal de São Paulo para efetivar bloqueios e sequestros de bens das pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Essas medidas decorrem de requerimentos da PGR e já foram deferidas em decisões anteriores. A Polícia Federal executou a apreensão de bens variados, como veículos de luxo e objetos de alto valor, como parte da tentativa de garantir ressarcimento e evitar a dilapidação do patrimônio ligado à suposta fraude no Banco Master.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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