Decisão dos EUA: Delcy Rodríguez em vez de Machado

Análise do apoio americano a Delcy na Venezuela

A escolha de Delcy Rodríguez sobre María Corina Machado revela uma estratégia dos EUA focada na estabilidade em vez da democracia na Venezuela.

A recente escolha do governo dos Estados Unidos de apoiar Delcy Rodríguez, em vez da opositora María Corina Machado, levanta importantes questões sobre as direções da política americana na Venezuela e suas implicações para a estabilidade do país. O apoio a Rodríguez, filha de um ex-guerrilheiro marxista e ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, sugere uma estratégia focada na manutenção da ordem, mesmo que isso signifique continuar com elementos do regime autoritário.

A lógica do apoio a Delcy Rodríguez

O apoio a Delcy Rodríguez é, em essência, uma decisão pragmática por parte do governo Trump. Segundo Charles Shapiro, ex-embaixador dos EUA na Venezuela, a escolha reflete uma preferência por estabilidade em vez de uma transição democrática completa. A administração americana parece acreditar que, ao manter figuras do governo anterior, mesmo sem Maduro, podem evitar o caos que poderia surgir de uma mudança abrupta.

Observadores apontam que uma mudança de regime completa poderia resultar em uma luta interna entre diferentes facções da oposição, o que poderia agravar ainda mais a crise no país. Além disso, cerca de 30% dos eleitores ainda apoiam Maduro, o que torna a situação delicada e potencialmente explosiva.

Na última coletiva de imprensa, Trump surpreendeu ao desqualificar Machado, referindo-se a ela como “não respeitada” dentro do país, o que contradiz a percepção de que seu movimento era amplamente aceito nas eleições de 2024. Essa estratégia de apoiar Rodríguez, descrita por Trump como “graciosa”, sinaliza uma tentativa de estabelecer uma relação funcional com o novo governo, mesmo que isso signifique ignorar a vontade popular.

A instalação de Rodríguez e suas implicações

A rápida transição de poder, com a remoção de Maduro e a ascensão de Rodríguez, fez com que muitos se perguntassem se ela estava ciente ou até envolvida no planejamento da mudança. Contudo, especialistas como Phil Gunson, do International Crisis Group, questionam a plausibilidade de tal teoria, uma vez que o poder real ainda reside nas mãos de aliados leais a Maduro, como o ministro da Defesa e o ministro do Interior.

A administração Trump parece ter considerado que a instabilidade provocada pela escolha de Machado poderia levar a um aumento da violência e da resistência militar. Um relatório do ICG alertou sobre os riscos de uma transição violenta, enfatizando que o apoio a Rodríguez, por mais problemático que seja, pode ser visto como uma forma de evitar um colapso total da ordem pública.

A nova abordagem dos EUA inclui um plano de três etapas, conforme exposto pelo Secretário de Estado Marco Rubio, que começa com a estabilização do país e a comercialização de petróleo sob supervisão americana. A proposta sugere que os EUA estão se preparando para um nível de cooperação econômica que poderia abrir espaço para investimentos internacionais, o que é visto como essencial para a recuperação da indústria petrolífera venezuelana.

No entanto, há um consenso crescente de que essa estratégia pode ser insuficiente para resolver as profundas crises sociais e econômicas do país. Muitos analistas acreditam que a ausência de um plano de transição democrática real pode levar a um cenário em que os interesses dos cidadãos venezuelanos sejam ignorados em favor de conveniências políticas imediatas.

A escolha de Delcy Rodríguez, portanto, é mais do que uma simples decisão de liderança; é um reflexo das complexidades da política internacional e das realidades internas da Venezuela, onde a luta por democracia e estabilidade continua a ser um desafio significativo.

A visão da administração Trump parece priorizar a manutenção da ordem sobre a promoção de um verdadeiro processo democrático, deixando o futuro da Venezuela em um estado de incerteza e potencial conflito.

Fonte: www.bbc.com

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