A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, popularmente conhecido como Lulinha, está considerando a possibilidade de solicitar ao Supremo Tribunal Federal que o caso seja transferido para a primeira instância. Essa informação foi revelada pelo analista de política Pedro Venceslau durante o programa CNN 360º, exibido na última sexta-feira (31). Venceslau também mencionou que o advogado Guilherme Sugimori, responsável pela representação de Lulinha, acredita que esse pedido de transferência deve ocorrer em breve.
Venceslau destacou que Sugimori questiona a legitimidade da investigação em andamento, argumentando que o que está acontecendo pode ser classificado como uma "pesca probatória". Esse termo é utilizado no meio jurídico para descrever tentativas de coletar provas que incriminem uma pessoa sem a existência de um fato específico que justifique tal investigação. O analista também lembrou que esse tipo de defesa já foi utilizado anteriormente pela família Bolsonaro em casos semelhantes.
Além disso, o advogado levanta a questão sobre a razão pela qual o caso está sob a jurisdição do STF, em vez de ser tratado na primeira instância, o que aumenta a complexidade da situação.
A Defesa de Lulinha enfatiza que a investigação que envolve seu cliente não está relacionada às fraudes no INSS, embora essa conexão seja frequentemente mencionada nas discussões sobre o tema. Segundo os defensores, trata-se de uma investigação distinta, que se concentra em supostos atos de tráfico de influência junto ao Ministério da Saúde e ao Governo Federal, especialmente no que diz respeito à liberação da cannabis medicinal, um setor que ainda aguarda regulamentação no Brasil.
Outro advogado que compõe a equipe de defesa, Marco Aurélio Carvalho, apresentou uma perspectiva diferente sobre a investigação. De acordo com Venceslau, Carvalho afirmou que a apuração realizada pela Polícia Federal reforça a independência da instituição, um argumento frequentemente utilizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ele declarou que essa investigação “recuperou a credibilidade da Polícia Federal”, em oposição ao que ocorreu durante a gestão Bolsonaro, quando a instituição foi acusada de ser utilizada para proteger interesses pessoais.
Venceslau observou que a declaração de Marco Aurélio Carvalho pode sinalizar a linha de argumentação que o PT adotará em futuros debates. O presidente Lula, ao ser questionado sobre a investigação, expressou que defende a continuidade das apurações, independentemente de quem seja o envolvido, indicando que não intervirá para proteger seu filho das investigações em curso.