Os democratas asseguraram a maioria no Senado e na Câmara dos Estados Unidos, conforme projeções divulgadas nesta quarta-feira (4/11), pondo fim ao domínio republicano no Congresso. O avanço foi impulsionado por viradas em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Kansas, Carolina do Norte e Carolina do Sul, embora vários estados ainda não tenham resultado definido.
No Kansas, onde Trump venceu por 16 pontos percentuais em 2024, o pastor Adam Hamilton derrotou o então deputado Roger Marshall e se tornou o primeiro senador democrata eleito em 94 anos. No Texas, James Talarico foi o primeiro democrata a conquistar a vaga desde 1988, e Gina Hinojosa foi eleita para o governo estadual. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu a republicana Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham, devolvendo uma democrata ao Senado pelo estado após mais de 60 anos.
O ex-governador da Carolina do Norte Roy Cooper será o primeiro democrata a representar o estado no Senado em 10 anos, após superar o republicano Michael Whatley. Em Ohio, Sherrod Brown derrotou o senador Jon Husted, que buscava a reeleição, e reconquistou a cadeira perdida em 2024, quando Trump venceu no estado por 11 pontos percentuais.
O presidente Trump comentou os resultados e disse que alguns candidatos que apoiou "lutaram contra" ele, sem relacionar a derrota ao seu desempenho na Casa Branca. "Tivemos os dois melhores anos na história da presidência em termos de economia, em termos de tudo o que realizamos", afirmou à Fox News. Ele declarou que aceitará o resultado e trabalhará com os democratas. "Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", disse ao The New York Times. "Vamos trabalhar com os democratas e, vocês sabem, esperamos trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo."
Ainda assim, Trump publicou nas redes sociais uma foto de um boné com a palavra "veto". Na segunda-feira (2/11), ele havia sinalizado que exerceria o poder de veto caso perdesse a maioria no Congresso. "Acho que vou me tornar o Sr. Veto", afirmou ao podcast Pod Force One, do New York Post. Na madrugada desta quarta-feira, atribuiu a derrota ao fato de seu nome não estar nas cédulas eleitorais. "Meu nome não estava na cédula, e se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora!", escreveu. O líder democrata Hakeem Jeffries deverá se tornar o primeiro homem negro a presidir a Câmara. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra eleita governadora na história dos EUA, e a Flórida elegeu Byron Donalds, primeiro governador negro republicano do estado. O ex-presidente Barack Obama celebrou o resultado e disse que os americanos querem mudança.