A influenciadora Deolane Bezerra, que se tornou ré na última quinta-feira (18) por suspeitas de envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), tinha a intenção de transferir recursos da facção para Dubai, nos Emirados Árabes. Esta informação foi revelada na denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O país é conhecido por ser um destino associado ao uso de empresas de fachada para facilitar a lavagem de ativos internacionais.
Além de Deolane, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e membros de sua família também foram incluídos na mesma denúncia. Os réus têm um prazo de 10 dias para apresentar sua defesa à Justiça. A investigação teve início em 2019, após a apreensão de manuscritos em um presídio localizado em Presidente Venceslau, que levaram à identificação da Transportadora Lado a Lado como um meio de branqueamento de recursos do PCC.
Os autos da investigação indicam que a empresa foi utilizada para disfarçar depósitos e ocultar a origem ilícita de valores provenientes do tráfico de drogas, com Deolane atuando como receptora desses fundos. As movimentações financeiras atribuídas aos réus superam a marca de R$27 milhões, valor considerado incompatível com a capacidade econômica que a influenciadora declarou.
A denúncia ainda destaca que Deolane Bezerra utilizava sua visibilidade na mídia para encobrir suas atividades criminosas. Durante a operação de busca e apreensão, foram confiscados diversos bens, incluindo joias, relógios, dinheiro em espécie e aparelhos celulares da advogada.
A Justiça também determinou o sequestro de uma Lamborghini Huracan EVO, uma Mercedes-Benz AMG G63, uma Cadillac Escalade e uma BMW X1, todos registrados em nome da empresa Deolane Bezerra Holding Patrimonial LTDA. Esses veículos de luxo, cuja soma de valores é estimada em milhões, já haviam sido apreendidos em um momento anterior, quando a influenciadora foi detida em maio.
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior informou que ambos estão custodiados em um estabelecimento penal federal desde fevereiro de 2019, o que, segundo eles, inviabiliza qualquer participação nos eventos investigados e evidencia um possível erro nas acusações recebidas. No dia 16 de junho, a denúncia foi oficialmente aceita pelo Juízo da 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau, em relação aos crimes previstos na Lei n.º 12.850/2013 e na Lei n.º 9.613/1998.