O denominado "Resort do Tráfico", uma mansão atribuída ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, é o foco de uma investigação que resultou na operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro contra o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins (União Brasil), realizada nesta quinta-feira (18).
Conforme o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, a apuração investiga o suposto envolvimento dos citados políticos com a facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro). Moreira destacou que as buscas, autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, são uma continuidade do trabalho conjunto entre seu gabinete e a Polícia Civil do Estado, focando no envolvimento de um parlamentar estadual e um ex-vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro com a organização criminosa.
A investigação teve início após relatos sobre tentativas de interferência na demolição de imóveis utilizados pela facção. "Essa investigação se iniciou a partir da intervenção deste parlamentar estadual e do então vereador com o objetivo de impedir, de obstaculizar, a demolição de imóveis, até apelidados como Resort do Peixão, utilizados por membros dessa organização criminosa", afirmou o procurador.
A mansão, situada no Complexo de Israel, na zona Norte do Rio de Janeiro, ganhou notoriedade como "Resort do Tráfico" devido a festas e reuniões que ocorriam entre integrantes do TCP. O imóvel foi erguido de forma irregular em uma área de preservação ambiental e contava com um lago artificial, uma academia equipada e diversas estruturas de lazer. No ano anterior, em uma operação, as autoridades iniciaram a demolição da mansão e apreenderam equipamentos que estavam no local.
Na operação realizada nesta quinta-feira (18), foram apreendidos armas, quantias em dinheiro e equipamentos eletrônicos. O procurador-geral ressaltou que as apreensões ocorreram em virtude de uma denúncia feita pelo próprio município a respeito de tentativas de interferência na demolição da construção irregular.
A Prefeitura do Rio enfatizou que cumpriu sua obrigação ao reportar ao Ministério Público as tentativas de interferência na demolição da construção irregular erguida por criminosos em Vigário Geral, o que fundamenta a investigação e as ações cautelares da operação. O prefeito Eduardo Paes, na época, recebeu pedidos de obras de representantes de diversas correntes políticas, mas decidiu não prosseguir com projetos para a área devido à investigação em curso.