Desafios dos Drones Iranianos colocam os EUA em alerta

O Irã iniciou a recuperação de sua produção de drones durante um cessar-fogo de seis semanas, superando as expectativas de autoridades dos Estados Unidos. Relatórios de inteligência indicam que os ataques realizados não conseguiram eliminar completamente a capacidade militar do país. Avaliações apontam que dois terços dos lançadores de mísseis iranianos sobreviveram, com alguns equipamentos, como os mísseis de cruzeiro, utilizados para dificultar o tráfego no Estreito de Ormuz, ainda em operação.

Apesar de muitas máquinas estarem enterradas em escombros, o regime iraniano tem condições de recuperá-las. Além disso, o exército do Irã reposicionou suas estações de lançamento de mísseis para locais estratégicos, o que pode complicar ainda mais os esforços de neutralização por parte dos Estados Unidos e aliados.

De acordo com estimativas, cerca de 50% da capacidade total de Drones do Irã permanece intacta, e Teerã pode restaurar completamente seus equipamentos em um período de apenas seis meses. Essa situação é atribuída não apenas à ineficácia dos ataques realizados, mas também ao suporte recebido da China e da Rússia, que teriam fornecido componentes essenciais para a construção de mísseis. As acusações de apoio externo, no entanto, foram negadas por Moscou e Pequim.

O professor Sandro Teixeira Moita, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, comentou sobre os dados disponíveis, afirmando que pode-se imaginar que até 70% da capacidade militar iraniana foi preservada. Ele destacou que o Irã se preparou cuidadosamente para o conflito, aprendendo lições valiosas durante a chamada "Guerra dos 12 Dias", que ocorreu no ano passado. As táticas incluem a dispersão dos arsenais e a designação de múltiplos sucessores para figuras de liderança.

Lourival Sant’Anna, analista de Internacional, avaliou que uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos seria inviável tanto do ponto de vista político quanto estratégico, embora ainda fosse operacionalmente possível. O analista questionou as ações que poderiam ser tomadas agora que não foram realizadas anteriormente.

O tempo é um fator adverso para os Estados Unidos, com a situação econômica do país se deteriorando devido ao impacto do fechamento do Estreito de Ormuz. Sant’Anna destacou que os arsenais iranianos, posicionados em falésias voltadas para o estreito, não sofreram degradação significativa, o que representa um desafio contínuo para a estratégia militar americana. Os ativos mais estratégicos da Guarda Revolucionária permanecem praticamente intactos após os bombardeios, que foram considerados lineares e sem foco qualitativo, o que contribui para a dificuldade nas negociações com o Irã.

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