Desafios e conquistas de Gleisi na articulação do governo

Gil Ferreira/SRI

Análise das principais vitórias e derrotas da ministra ao longo de 2025.

Gleisi Hoffmann enfrentou um ano desafiador em 2025, com vitórias e derrotas significativas na articulação política do governo.

A gestão de Gleisi Hoffmann à frente da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, iniciada em março de 2025, foi marcada por um intenso jogo de xadrez político, onde as vitórias e derrotas se alternaram em um cenário repleto de desafios. O principal objetivo da ministra era não apenas fortalecer a relação do governo com o Congresso, mas também assegurar a aprovação de pautas estratégicas visando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

Cenário político conturbado e suas consequências

O ano começou com a promessa de que a articulação política traria um novo fôlego ao governo, mas logo se tornou evidente que a tarefa não seria fácil. Gleisi enfrentou um embate significativo ao tentar implementar um decreto que aumentaria as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), uma medida que visava elevar a arrecadação federal. No entanto, a proposta gerou uma onda de insatisfação entre parlamentares e a sociedade, levando à sua rejeição histórica no Congresso. Essa foi a primeira vez em 32 anos que uma medida presidencial dessa natureza foi derrubada, demonstrando o descontentamento generalizado com o governo.

Principais vitórias em meio a derrotas

Apesar dos reveses, Gleisi também pode contabilizar algumas vitórias. A mais significativa foi a ampliação da isenção do Imposto de Renda, uma das promessas mais esperadas da campanha de Lula. Essa medida, que beneficiará milhões de trabalhadores a partir de 2026, é vista como uma estratégia crucial para garantir o apoio popular em um ano eleitoral. Além disso, o governo conseguiu avançar com a taxação de bets e fintechs, uma alternativa para aumentar a arrecadação sem sobrecarregar a classe média.

Conflitos e articulações no Congresso

A relação entre Gleisi Hoffmann e os líderes do Congresso se deteriorou ao longo do ano, especialmente após a aprovação de um projeto de lei que aliviou as penas dos envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pressão para aprovar a anistia cresceu, mas a falta de consenso resultou em um texto que apenas reduziu as penas, o que foi um duro golpe para a estratégia do governo.

Desafios contínuos e novas frentes

Além disso, a ministra teve que lidar com a aprovação de um novo marco regulatório que flexibilizou as regras de licenciamento ambiental, uma medida que gerou forte oposição de ambientalistas. Embora Lula tenha vetado partes do projeto, a derrubada dos vetos pelo Congresso reforçou a necessidade de uma articulação mais eficaz.

O ano também foi marcado pela instalação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que ameaçaram desgastar a imagem do governo. A CPMI do INSS, por exemplo, foi um ponto crítico, mas os governistas conseguiram conter algumas investidas da oposição ao longo dos trabalhos.

Considerações finais

O ano de 2025 para Gleisi Hoffmann foi um misto de vitórias e derrotas, onde cada movimento foi crucial para a manutenção da imagem do governo e suas propostas. À medida que se aproxima o ano eleitoral, a ministra e sua equipe terão que intensificar as articulações para garantir que as promessas de campanha se concretizem, em um cenário onde a oposição se mostra cada vez mais ativa. A capacidade de Gleisi de navegar nesse ambiente desafiador será fundamental para o sucesso do governo e para as aspirações de reeleição de Lula.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Gil Ferreira/SRI

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