Macaquinho-prego enfrenta nova fase após morte da mãe em atropelamento na Floresta Nacional de Pacotuba
Macaquinho órfão no Espírito Santo depende de cuidados humanos após mãe ser atropelada na rodovia João Domingos Zago.
O macaquinho órfão Espírito Santo passa por um momento decisivo após a morte de sua mãe, atropelada em 13 de janeiro na Rodovia João Domingos Zago, dentro da Floresta Nacional de Pacotuba. Este filhote de macaco-prego, que emocionou servidores e visitantes ao permanecer ao lado do corpo da mãe, inicia agora um processo de reabilitação que depende totalmente da intervenção humana.
A importância da figura materna para o desenvolvimento do macaquinho
Em primatas, a mãe é essencial para o aprendizado de comportamentos vitais, como comunicação, interação social e habilidades de sobrevivência, incluindo o reconhecimento de predadores e o uso de ferramentas para obtenção de alimento. Aline Mota, agente ambiental da Flona de Pacotuba, destaca que a ausência dessa figura compromete o desenvolvimento natural do filhote, podendo inviabilizar seu retorno ao habitat selvagem.
Cuidados e reabilitação especializados
Após o resgate realizado por Aline Mota e equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o macaquinho está sob supervisão médica de veterinários especializados e será encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), seguindo para o Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (Cereias), em Aracruz. O Cereias trabalha para estimular comportamentos naturais e formar grupos sociais, aumentando as chances de soltura conjunta e bem-sucedida.
Desafios para a reintrodução e futuro incerto
O trabalho de reabilitação não tem prazo definido e o sucesso da reintrodução depende da capacidade do filhote de aprender comportamentos essenciais fora da presença materna. A especialista ressalta que macacos criados por humanos podem ter dificuldades para sobreviver e se integrar ao ambiente natural.
Impacto dos atropelamentos na fauna local
O ocorrido reacende o alerta sobre os riscos de atropelamentos de animais silvestres em rodovias próximas a áreas protegidas. No mesmo dia, outros animais foram vítimas na região, evidenciando a necessidade de infraestrutura adequada, como passagens de fauna, corredores ecológicos, sinalização reforçada e redutores de velocidade para minimizar esses acidentes.
Conscientização e prevenção
Aline Mota enfatiza que a fiscalização e a implementação de medidas de proteção são fundamentais para garantir a segurança da fauna. “Os animais buscam apenas viver em seu habitat natural, mas as ações humanas acabam colocando suas vidas em risco”, alerta. A história do macaquinho órfão reforça o desafio de conciliar preservação ambiental e o desenvolvimento das áreas urbanas e rodoviárias.

Fonte: www.metropoles.com
