Desafios das usinas brasileiras em 2026: o que esperar do mercado de açúcar e etanol

Uma análise sobre as perspectivas e estratégias para o setor sucroalcooleiro

O mercado de açúcar e etanol no Brasil enfrenta um cenário complicado em 2026, com preços baixos e margens apertadas. Especialistas apontam estratégias essenciais para a sobrevivência das usinas.

O mercado sucroalcooleiro brasileiro depara-se com um futuro incerto em 2026. As usinas, que já enfrentam uma pressão constante, se veem em um cenário de preços baixos, estoques elevados e um consumo debilitado, apesar de um déficit global projetado para a safra 2024/2025. Essa combinação de fatores levanta preocupações sobre a viabilidade econômica do setor.

O contexto desafiador do mercado de açúcar

O analista Marcelo Di Bonifácio, da StoneX, destaca que os preços do açúcar em Nova York sofreram a maior queda desde 2017, um reflexo não apenas da oferta global, mas também da dinâmica de compras dos importadores. Em 2024, uma recuperação nas cotações levou os países a acumularem estoques, resultando em uma diminuição da necessidade de importações no início de 2025, o que impactou diretamente as usinas brasileiras. Em 2025, grandes nomes do setor como Raízen (RAIZ4), São Martinho (SMTO3) e Jalles (JALL3) viram suas ações despencarem, acumulando perdas significativas, com quedas que variaram de 39% a 62%.

O Brasil, mesmo sendo o maior produtor mundial de açúcar, enfrenta dificuldades em manter um equilíbrio no mercado. A estratégia agressiva de maximizar o mix açucareiro não conseguiu sustentar aumentos de preços, resultando em margens extremamente apertadas, algumas até abaixo do custo de produção. Para outros países produtores, como a Tailândia, a situação se agrava devido aos custos mais altos e desafios logísticos.

Adicionalmente, o consumo global de açúcar demonstra sinais de desaceleração, especialmente na China e nos Estados Unidos, onde o aumento do uso de medicamentos para emagrecimento tem contribuído para essa tendência. Essa realidade impõe um desafio adicional para as usinas brasileiras, que precisam se adaptar rapidamente a um mercado em transformação.

O papel do etanol e as estratégias necessárias

Diante desse cenário, o etanol surge como um elemento crucial para a sustentação do setor em 2026. Espera-se que os preços do etanol se mantenham elevados, em torno de R$ 3,70 em Ribeirão Preto, o que torna o biocombustível mais atraente em comparação ao açúcar. Essa situação sugere uma mudança no mix de produção, com um foco maior na produção de etanol. No entanto, Di Bonifácio alerta para os riscos associados a essa transição, uma vez que uma produção excessiva pode pressionar os preços ao longo do ano, enquanto o crescimento do etanol de milho intensifica a concorrência no mercado.

Para navegar pelo cenário desafiador que se aproxima, Di Bonifácio delineia algumas recomendações essenciais para as usinas:
Evitar alavancagem excessiva em um ambiente de juros altos.
Não contar com quebras de safra “salvadoras”.
Ajustar as estruturas financeiras.
Trabalhar com uma estratégia comercial bem definida.

  • Não contar, no cenário base, com um aumento da mistura de etanol na gasolina.

Quando se trata dos eventos climáticos, a safra atual da Índia, um dos principais exportadores globais de açúcar, parece estar segura. Contudo, a persistência do fenômeno El Niño pode impactar as monções em 2026, afetando a safra subsequente. Por ora, as previsões indicam uma boa colheita para a safra atual.

Embora a Tailândia tenha começado sua safra 25/26 com expectativas otimistas, a realidade no campo pode ser mais complexa. Doenças nas lavouras já estão sendo relatadas, o que pode resultar em uma produção inferior ao esperado. Se a quebra de safra for significativa, isso poderá acionar uma demanda adicional de países como China e Indonésia.

Para a safra 2026/2027 no Brasil, as perspectivas são mais otimistas, com um clima favorável nos últimos meses, que promete uma produção robusta. As usinas devem se preparar para esse futuro, ajustando suas estratégias e operações para se manterem competitivas em um mercado em constante evolução.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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