Estudo revela que áreas protegidas não têm conseguido barrar a degradação desses ecossistemas.
Estudo aponta que os Campos de Altitude estão desaparecendo, mesmo em áreas protegidas, revelando falhas nas políticas de conservação.
Os Campos de Altitude, um ecossistema essencial para a biodiversidade do sul do Brasil, enfrentam um desaparecimento alarmante, conforme apontam os resultados de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Apesar de serem reconhecidos por sua importância ecológica, esses campos estão sendo convertidos em áreas agrícolas e pastagens, mesmo em Unidades de Conservação.
A importância dos Campos de Altitude
Os Campos de Altitude, que se situam entre 800 e 1800 metros de altitude, são dominados por gramíneas e arbustos, abrigando mais de 300 espécies vegetais exclusivas. Este ecossistema é crucial não só pela sua biodiversidade, mas também pelos serviços ecossistêmicos que oferece, como a regulação do clima e a manutenção do solo.
Situação atual e desafios enfrentados
O estudo revisitou dados de satélite e constatou que, dos remanescentes da Floresta com Araucárias, apenas 1,2 milhão de km² (ou 4%) permanece preservada, com apenas 13,5% dessa área dentro de Unidades de Conservação. A pesquisa analisou três Unidades de Conservação federais no sudoeste do Paraná e oeste de Santa Catarina, revelando que, enquanto as florestas estão relativamente estáveis, os Campos de Altitude estão em rápida degradação.
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Essas unidades foram criadas para barrar a expansão agrícola, mas a realidade mostra que a proteção é insuficiente para os Campos de Altitude.
Fatores que contribuem para a degradação
As razões para a dificuldade em proteger os Campos de Altitude incluem:
A percepção equivocada de que esses campos têm menos valor do que as florestas.
A legislação brasileira é mais rigorosa para florestas do que para campos.
A necessidade de manejo ativo, como pastoreio e queimadas controladas, que não está sendo realizado.
A invasão por espécies exóticas, como o Pinus, que competem com a flora nativa.
A desinformação e políticas públicas que enfraquecem a proteção legal desses ecossistemas.
Caminhos para a proteção efetiva
Para garantir a proteção dos Campos de Altitude, é necessário implementar políticas públicas específicas que incluam:
Fiscalização contínua das áreas protegidas.
Reconhecimento legal dos campos como ecossistemas naturais.
Incentivo ao manejo ativo que promova a diversidade.
- Participação das comunidades locais no planejamento e gestão das Unidades de Conservação.
A preservação desses ecossistemas é fundamental não apenas para a biodiversidade, mas também para a sustentabilidade das comunidades que dependem deles. Sem ações efetivas, os Campos de Altitude podem desaparecer, levando consigo uma rica herança ecológica e cultural do sul do Brasil.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Foto cedida pelos autores ao The Conversation Brasil