Pesquisa revela padrão de comunicação inédito em grupo que ataca embarcações desde 2020
Pesquisadores identificam dialeto exclusivo entre orcas que atacam embarcações na costa do Estreito de Gibraltar desde 2020.
Um estudo recente trouxe à tona uma revelação surpreendente sobre um grupo de orcas que tem atacado embarcações na costa da Espanha desde 2020. Pesquisadores que acompanham esses animais no Estreito de Gibraltar e na costa atlântica da Península Ibérica identificaram um padrão de comunicação até então desconhecido, configurando um dialeto exclusivo entre essas orcas.
Ataques frequentes na costa ibérica
Desde 2020, um conjunto de orcas tem protagonizado ataques recorrentes contra barcos de pequeno e médio porte, especialmente nas águas espanholas e portuguesas. A fêmea líder, denominada Gladis Branca, junto com outras integrantes apelidadas de “gladiadoras”, são as principais responsáveis pelas investidas que já resultaram até no afundamento de veleiros.
Comunicação inédita entre orcas
Durante expedições para estudar o comportamento desses cetáceos, os cientistas conseguiram registrar sons emitidos pelo grupo enquanto navegavam pela costa espanhola. A análise revelou quatro sons distintos que não coincidem com nenhum padrão de comunicação previamente conhecido para a espécie.
Essa nova estrutura sonora, classificada como um dialeto, parece ser exclusiva para o grupo liderado por Gladis Branca, indicando uma forma particular de interação entre as orcas. Essa descoberta contrasta com estudos anteriores, que indicavam que as orcas da região eram relativamente silenciosas.
Implicações científicas e ecológicas
Renaud de Stephanis, presidente do Centro de Conservação, Informação e Pesquisa sobre Cetáceos (Circe), destacou que a existência desse dialeto representa um avanço importante no entendimento da comunicação entre orcas, apontando para uma complexidade social até então subestimada na população local.
Com cerca de 40 orcas monitoradas na área, pelo menos 15 são suspeitas de estarem diretamente envolvidas nos ataques às embarcações. Os pesquisadores buscam compreender se há uma correlação entre esse padrão de comunicação e o comportamento agressivo apresentado.
Monitoramento e conservação
O estudo em andamento visa não só decifrar o significado do dialeto, mas também avaliar seus impactos para as estratégias de conservação da espécie. O comportamento inédito pode sinalizar mudanças sociais ou ambientais na região, o que reforça a importância de um monitoramento contínuo e aprofundado.
Essa descoberta abre caminho para novas pesquisas sobre a sociabilidade e comunicação dos cetáceos, ampliando a compreensão sobre a complexidade de orcas e seus comportamentos adaptativos frente às pressões ambientais e humanas.

Foto: Reprodução
Fonte: baccinoticias.com.br
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