Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que a designação dos grupos PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas não aumenta a autorização militar dos EUA para agir em território brasileiro. A afirmação foi divulgada após reportagem inicial e esclarece que as classificações de terrorismo não conferem aos militares americanos poderes adicionais já existentes.
Na última quarta-feira, 12, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou planos de iniciar operações militares terrestres contra narcotraficantes na América Latina. Durante sua declaração em um centro de treinamento na selva, localizado no Panamá, Hegseth destacou que as ações devem seguir a estratégia adotada em operações anteriores contra embarcações envolvidas no tráfico de drogas no Oceano Pacífico.
Hegseth enfatizou que os EUA estão colaborando com países como Equador e Colômbia para realizar essas operações em solo contra as DTOs, sigla que designa as organizações terroristas. Ele afirmou que qualquer indivíduo ou grupo que comprometa a segurança dos Estados Unidos ou de seus parceiros será considerado um alvo, assim como os grupos ISIS e Al-Qaeda.
A CNN também buscou um posicionamento do Departamento de Defesa, mas não obteve resposta até o momento. Entre maio e junho deste ano, o governo americano classificou PCC e CV como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras". Com essa categorização, todos os bens e interesses em bens de indivíduos ou entidades ligadas a esses grupos que estejam nos EUA ficam bloqueados.
Qualquer transação envolvendo esses bens é proibida para cidadãos americanos e dentro do território dos EUA, incluindo doações de fundos ou serviços que possam beneficiar as organizações designadas. Além disso, representantes estrangeiros de uma Organização Terrorista Estrangeira têm restrições de entrada nos Estados Unidos e podem ser deportados em certas situações.
Instituições financeiras americanas que identificarem fundos relacionados a essas organizações devem manter o controle sobre eles e reportá-los ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA.