Desmatamento ameaça conhecimento sobre plantas da Amazônia

Pesquisas recentes indicam que as alterações climáticas provocadas por atividades humanas têm o potencial de afetar gravemente o patrimônio florestal da Amazônia. Estima-se que até um terço das espécies de plantas nativas, utilizadas por comunidades indígenas da região, pode ser reduzido devido a essas mudanças. Essa diminuição nas plantas de relevância cultural pode, em conjunto com a extinção projetada de línguas indígenas, resultar em uma perda significativa do conhecimento documentado sobre os usos das espécies vegetais amazônicas até o final do século.

Para conduzir a pesquisa, cientistas compilaram mais de 90 mil registros que refletem o uso de plantas na Amazônia por povos indígenas entre os anos de 1504 e 2023. A análise desses dados permitiu que os pesquisadores também avaliassem a situação das línguas em que os relatos foram feitos. Observou-se que mais da metade dos registros sobre plantas nativas foi feita em 156 línguas indígenas, das quais 56% estão em risco de extinção.

O estudo, publicado na revista Nature, modelou os impactos das mudanças climáticas na distribuição das espécies vegetais para o período entre 2060 e 2080, considerando três cenários: cumprimento das metas climáticas até meados do século, adoção de ações mínimas de mitigação e ausência de políticas de intervenção. As projeções revelam que as perdas médias locais de espécies vegetais podem ser de 28%, 30% e 34%, respectivamente, para cada um dos cenários analisados.

Os pesquisadores alertam que essas reduções nas espécies vegetais podem ter efeitos críticos nas sociedades amazônicas, uma vez que comprometem a biodiversidade essencial para a sobrevivência e a cultura dos povos que habitam a região. A perda de conhecimento sobre o uso de plantas pode não apenas impactar as práticas tradicionais, mas também afetar a capacidade dessas comunidades de se adaptarem às mudanças ambientais que estão por vir.

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