Mudanças na diretoria do BRB refletem crise de credibilidade
Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo deixa cargo no BRB após polêmica envolvendo o Banco Master.
A renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo ao cargo de diretor jurídico do Banco de Brasília (BRB) marca um importante episódio na história recente da instituição. O anúncio, feito em um fato relevante na segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, revela como as consequências de decisões administrativas, especialmente em instituições financeiras públicas, podem impactar diretamente a confiança do mercado.
A crise de credibilidade do BRB
Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, levantando sérias questões sobre as operações financeiras do BRB. Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu duas carteiras de crédito do Banco Master, totalizando R$ 12,2 bilhões, cujos ativos eram, segundo investigações, superfaturados ou inexistentes. A revelação de que o BRB poderia ter incorrido em prejuízos significativos, estimados em R$ 5 bilhões, conforme depoimento da Polícia Federal, contribuiu para a deterioração da sua imagem no mercado.
A situação se complicou ainda mais quando, apesar da aprovação do negócio pelo Cade em junho, o BC reprovou a aquisição em setembro. Essas movimentações indicam não só a fragilidade das operações do BRB como também a necessidade urgente de reformulação em sua governança corporativa.
Novas lideranças e desafios
Além da renúncia de Melo, a posse de Ana Paula Teixeira como diretora executiva de Controles e Riscos foi anunciada. Teixeira traz consigo uma experiência consolidada no setor financeiro, tendo ocupado cargos de liderança em instituições de grande porte, incluindo o Banco do Brasil. O BRB, ao nomear Teixeira, aponta para um esforço de restabelecer a confiança em sua gestão, focando na integridade institucional e na melhoria dos controles internos.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e o gerente de Relações com Investidores, Matheus Brugger Simão, reafirmaram o compromisso da instituição com a ética e a transparência, prometendo manter acionistas e o mercado informados sobre futuros desenvolvimentos. Contudo, a falta de informações sobre as razões da saída de Melo levanta questionamentos sobre a cultura organizacional do banco.
O futuro do BRB
A combinação da renúncia de um alto executivo e a entrada de uma nova liderança em um momento crítico ilustra os desafios que o BRB enfrenta. A instituição apresentou, recentemente, um plano de capital ao BC, propondo medidas para recompor seu balanço e fortalecer sua liquidez em um prazo de 180 dias. Este plano é vital não apenas para a recuperação da saúde financeira do banco, mas também para restaurar a confiança do público e dos investidores.
Conclusão
O cenário que se desenha para o BRB é complexo e repleto de incertezas. A renúncia de Melo e a chegada de Teixeira podem ser passos significativos para uma reestruturação, mas o banco ainda precisa lidar com as repercussões do escândalo do Banco Master. O fortalecimento da governança e a transparência nas operações são essenciais para que a instituição possa recuperar sua credibilidade no sistema financeiro.