Amebas de vida livre ganham destaque por riscos à saúde e desafios ambientais
Disseminação de amebas perigosas preocupa cientistas devido a impactos ambientais e riscos de infecções graves no sistema nervoso.
A disseminação de amebas perigosas para a saúde pública tem despertado preocupação crescente entre cientistas ambientais e da área médica em 2026. Essas amebas, classificadas como de vida livre, não dependem de hospedeiros animais ou humanos para sobreviver, mas algumas espécies podem provocar infecções graves no sistema nervoso.
Impactos ambientais e o aumento dos riscos
Embora a presença das amebas no meio ambiente não seja novidade, os impactos ambientais atuais — como as mudanças climáticas e a deterioração dos sistemas hídricos — estão ampliando a distribuição desses organismos para locais onde antes eram raros ou inexistentes. Somado ao baixo investimento em monitoramento e detecção, isso aumenta os riscos de infecções para a população.
Ameba comedora de cérebro: um perigo crescente
O foco principal dos alertas é a Naegleria fowleri, popularmente conhecida como a ameba comedora de cérebro. Essa ameba de vida livre habita ambientes aquáticos de água doce, como lagos, rios e fontes termais, especialmente em locais com temperaturas elevadas. A infecção ocorre quando a ameba entra pelo nariz durante atividades como natação ou mergulho em águas contaminadas, migrando até o cérebro e causando inflamação e destruição do tecido cerebral.
Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez no pescoço, convulsões e alterações do estado mental, e a condição é geralmente fatal. No Brasil, casos foram relatados em São Paulo (1975) e Ceará (2024), mas permanecem raros.
Resistência e papel na disseminação de patógenos
Segundo o pesquisador Longfei Shu, da Universidade Sun Yat-sen, a resistência das amebas complica sua contenção. Além de causar infecções diretas, as amebas podem atuar como “cavalos de Tróia”, protegendo bactérias e vírus dentro de seus corpos, o que facilita a sobrevivência destes agentes patogênicos contra antibióticos e potencializa sua disseminação via sistemas de água potável.
Propostas para controle integrado
O estudo publicado em dezembro na revista Biocontaminant recomenda uma abordagem tripla para enfrentar a ameaça: estratégias coordenadas de saúde pública, pesquisa ambiental e gestão eficiente dos recursos hídricos. Essa integração visa antecipar riscos, monitorar a presença das amebas e implementar medidas preventivas para resguardar a saúde da população.
Recomendações para prevenção individual
Para evitar infecções, especialistas orientam a evitar mergulhos ou afundar a cabeça em águas doces e quentes potencialmente contaminadas. Tampar o nariz durante essas atividades também pode reduzir riscos.
A disseminação das amebas perigosas em 2026 é um desafio que une questões ambientais e médicas, destacando a necessidade de ações conjuntas para proteger a saúde pública frente às novas dinâmicas ambientais globais.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida mostra ameba visto de microscópio – Metrópoles – Foto: Pexels