As escolas de samba levam temas sociais e ancestrais à avenida.
Na abertura do carnaval, a diversidade temática das escolas de samba ressaltou lutas sociais e a força feminina.
A diversidade temática dos desfiles de carnaval
A primeira noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi foi marcada por uma rica diversidade temática, refletindo lutas sociais, a força do protagonismo feminino e a espiritualidade que permeia a cultura brasileira. As escolas de samba, com uma variedade de enredos, trouxeram à tona questões relevantes, destacando a ancestralidade e a resistência cultural, em uma celebração vibrante que atraiu um público entusiasmado.
Temas e enredos que emocionaram
A Mocidade Unida da Mooca, estreante no Grupo Especial, abriu a noite com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, que homenageou as mulheres que sustentam e transformam comunidades com sua força. Inspirada nas tradições africanas, a escola trouxe um Orixá Exu interpretado por uma mulher, estabelecendo um forte simbolismo de empoderamento e respeito às raízes afro-brasileiras. Eduardo Okamoto, diretor artístico da agremiação, celebrou a realização desse momento histórico, demonstrando a importância da inclusão e representação no carnaval.
Após a Mooca, a Colorado do Brás apresentou “A Bruxa Está Solta! Senhoras do Saber Renascem na Colorado”. O enredo ressignificou a figura da bruxa, transformando-a em uma representante de sabedoria e resistência, e denunciou a opressão das mulheres. O desfile foi um espetáculo visual, imerso em misticismo e magia, que engajou o público de maneira intensa.
Seguindo o clima de empoderamento feminino, a Dragões da Real apresentou “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, celebrando as lendárias guerreiras da Amazônia. A escola destacou a ancestralidade e a força dos povos originários, utilizando carros alegóricos que encantaram com sua proposta visual e narrativa poderosa. Cada componente trouxe uma mensagem de coragem e liberdade, demonstrando a riqueza cultural do Brasil.
A mensagem social no ritmo do samba
Em uma veia política e poética, a Acadêmicos do Tatuapé fez um desfile sobre reforma agrária, apresentando o chão do Anhembi como um verdadeiro campo de debate. Com o enredo “Plantar para colher e alimentar”, a escola expôs a luta pela dignidade do trabalhador rural, conectando a mitologia indígena com a realidade agrária. A presença de figuras como Tupã simbolizou a fertilidade da terra e a esperança de um futuro melhor para todos.
Por sua vez, as Rosas de Ouro, atuais campeãs, deleitaram os espectadores com um espetáculo que entrelaçou astrologia e espiritualidade. O enredo “Escrito nas Estrelas” transportou o público para uma galáxia onde os signos e constelações dançavam em harmonia, apesar de uma penalização inicial pela entrega tardia das pastas técnicas. A energia da comunidade, no entanto, não se deixou abalar, e a escola conseguiu manter o brilho característico que a consagra.
O significado cultural dos desfiles
Os desfiles deste ano não apenas celebraram a música e a dança, mas também se tornaram um espaço de luta e resistência. Cada escola trouxe à tona questões relevantes para a sociedade, reafirmando o papel do carnaval como uma aula pública de cultura e identidade. A diversidade de enredos refletiu não apenas a história e as tradições do Brasil, mas também os desafios enfrentados por diferentes grupos sociais, promovendo uma reflexão sobre a inclusão e a valorização da cultura afro-brasileira.
Com o fechamento da primeira noite, a expectativa para os próximos desfiles é alta. O carnaval é uma celebração que transcende a simples festividade, tornando-se um palco para a luta por direitos, reconhecimento e o fortalecimento da identidade cultural. Assim, a avenida continua a ser um espaço de resistência, onde cada samba-enredo representa uma história e um grito por mudança.
Em um cenário de diversidade e inclusão, o carnaval de 2026 promete ser um marco na história das escolas de samba de São Paulo, reafirmando o poder da arte como ferramenta de transformação social.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Reprodução do Instagram/@ligacarnavalsp