Estudo detalha desempenho dos dividendos e impacto do reinvestimento no retorno das ações brasileiras
Análise de dividendos na B3 entre 2023 e 2025 mostra Grendene, Petrobras e setores diversificados como maiores pagadores, destacando a importância do reinvestimento.
A análise aprofundada dos dividendos pagos pelas ações da B3 entre 2023 e 2025, período coincidente com o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oferece uma perspectiva mais clara sobre quais empresas mais remuneraram seus acionistas. O estudo, conduzido pela Elos Ayta, avaliou 159 ações presentes nos principais índices brasileiros, como Ibovespa, IDIV e Small Caps, aplicando métodos que privilegiam a mediana do dividend yield para reduzir distorções pontuais.
Principais pagadores de dividendos na B3
A Grendene (GRND3) destacou-se como líder, com uma mediana de dividend yield de 23,0% no período, seguida pelas ações da Petrobras: PETR4 com 21,22% e PETR3 com 20,27%. Apenas essas três ultrapassaram a marca de 20% na mediana do rendimento. Mesmo as empresas com menor mediana apresentaram dividend yields próximos ou superiores a 10%, valor que em muitos casos superou a média anual da taxa Selic de 12,77% nesse intervalo.
Diversidade setorial na remuneração ao acionista
O levantamento revelou que dividendos expressivos não estão concentrados em um único setor. O setor bancário lidera com quatro empresas entre as 20 maiores pagadoras, mas há representatividade ampla, com oito setores diferentes, incluindo aqueles com uma ou duas empresas cada. Essa diversificação indica que oportunidades de renda via dividendos podem ser encontradas em vários segmentos da economia brasileira.
A importância do reinvestimento dos dividendos
Um ponto crucial do estudo foi comparar o retorno total das ações considerando o reinvestimento dos dividendos e juros sobre capital próprio (JCPs). Com essa prática, todas as 20 empresas analisadas apresentaram rentabilidade positiva no período de três anos até o final de 2025. A Lavvi (LAVV3) alcançou o maior retorno com reinvestimento, valorizando 364,06%, contra 235,01% sem reinvestir os proventos.
Sem o reinvestimento, duas ações teriam apresentado resultados negativos: Grendene (queda de 23,71%) e Bradespar (recuo de 33,04%). Esses dados ressaltam que o recebimento dos dividendos, por si só, não garante retorno positivo; o método de utilização desses recursos pelo investidor é determinante para o sucesso financeiro.
Cuidados na interpretação dos dividend yields anuais
O comportamento dos dividend yields varia significativamente ano a ano. Em 2025, por exemplo, a Vulcabras (VULC3) registrou um dividend yield excepcional de 35,12%, impulsionado por um pagamento trimestral recorde, enquanto a Petrobras (PETR4) teve o menor yield do grupo no mesmo ano, com 8,27%. Essa variação evidencia que dividend yields elevados em um único exercício podem refletir eventos extraordinários e não necessariamente uma capacidade estrutural constante de geração de caixa.
Comparação com índices de referência
O IDIV, índice focado em ações pagadoras de dividendos, acumulou valorização de 60,55% no período analisado. Com reinvestimento, 14 das 20 ações superaram esse desempenho, enquanto sem reinvestimento apenas sete o fizeram. Esse cenário reforça o papel fundamental do reinvestimento na maximização dos retornos.
Reflexos das mudanças regulatórias e perspectivas futuras
O levantamento destaca ainda que o volume elevado de dividendos distribuído no quarto trimestre de 2025, parcialmente decorrente de antecipações motivadas por alterações na tributação dos dividendos a partir de 2026, pode inflar indicadores de curto prazo. Assim, análises robustas, que utilizem janelas temporais mais amplas e métodos como a mediana para distinguir dividendos recorrentes de extraordinários, são essenciais para evitar conclusões equivocadas.
Em síntese, a análise dos dividendos na B3 entre 2023 e 2025 enfatiza que, embora dividendos continuem a ser uma parte importante do retorno dos investidores, sua avaliação deve ser feita com rigor metodológico, contexto e atenção às particularidades do mercado e da economia.
Fonte: www.moneytimes.com.br
