A trajetória de Fernando Francischini na segurança pública brasileira é marcada por disciplina, metas e uma sequência de posições de destaque que o levaram do Exército à Polícia Federal, sempre com um ponto em comum: resultados expressivos. Em entrevista ao podcast do Folha de Curitiba, o delegado e ex-deputado relembrou episódios decisivos de sua carreira e falou sobre o que considera ser o combustível para seu desempenho em cargos de alta responsabilidade. “Eu sou alguém de objetivo, de meta. Gosto de resultado, de não ser igual a todos e poder ajudar muita gente”, afirmou.
Antes de entrar na política, Francischini construiu uma trajetória pouco comum dentro das forças de segurança. Foi oficial do Exército, oficial da Polícia Militar do Paraná e, posteriormente, agente e delegado da Polícia Federal. Segundo ele, a decisão de deixar a carreira de tenente da PM para ingressar como agente federal foi motivada pela paixão pela investigação, especialmente no combate ao tráfico e aos crimes de fronteira. “Eu aceitei deixar de ser tenente de carreira da Polícia Militar para ser agente da Polícia Federal porque queria investigar”, contou.
A dedicação intensa também rendeu conquistas acadêmicas e profissionais raras. Francischini destaca que terminou em primeiro lugar em três formações distintas: no curso de oficiais da Polícia Militar do Paraná, no curso nacional de agente da Polícia Federal e posteriormente no curso de delegado da instituição. Para ele, esse histórico não é exibido como vaidade, mas como prova de esforço e foco. “Eu conto isso como motivo de orgulho e dedicação. Muitas pessoas que votam em mim não conhecem essa parte da minha carreira antes da política”, disse.
O delegado ganhou notoriedade nacional ao atuar em operações contra o crime organizado, incluindo investigações que levaram à prisão de grandes nomes do narcotráfico internacional. Entre os casos que marcaram sua carreira estão operações envolvendo traficantes como Juan Carlos Abadia e Fernandinho Beira-Mar. A exposição pública dessas operações, segundo ele, acabou colocando seu nome no centro do debate sobre segurança pública no país.
Mesmo com reconhecimento, a rotina de combate ao crime trouxe riscos constantes. Francischini revelou que chegou a ser alvo direto de organizações criminosas dentro de presídios brasileiros. “Pegaram fotos minhas e colaram nas paredes de celas do Comando Vermelho. Eu era alvo total. Imagina o que isso significa para a família da gente”, relatou. A experiência, segundo ele, ajudou a moldar sua visão de que o combate ao crime organizado exige coragem e, também, mudanças profundas na legislação brasileira.