Do gelo ao movimento. Tecnologia brasileira aposta em recuperação ativa

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EvoMove Crio combina caminhada ou corrida, frio de até -2 °C e pressão negativa; equipamento chega ao mercado como alternativa às banheiras de gelo, mas benefícios específicos ainda dependem de validação científica independente

 

Cruzar a linha de chegada de uma corrida, disputar várias partidas em sequência ou concluir um ciclo intenso de treinamentos não encerra o esforço do atleta. Nas horas seguintes, o organismo ainda precisa reparar fibras musculares, recompor os estoques de energia e administrar as respostas provocadas pela sobrecarga física. É nesse intervalo que a recuperação deixa de ser apenas descanso e passa a integrar a própria estratégia de desempenho.

Entre os recursos mais conhecidos está a imersão em água fria, popularizada pelas banheiras de gelo. Revisões científicas indicam que a técnica pode contribuir principalmente para reduzir a dor muscular tardia e a percepção de fadiga depois de exercícios intensos. Uma análise publicada em 2023 concluiu que a imersão fria apresentou melhores resultados para aliviar dores musculares do que outras estratégias de recuperação, embora os efeitos sobre força e potência tenham sido semelhantes aos de outros métodos. Outro estudo aponta que protocolos entre 10 e 15 minutos, com água entre 11 °C e 15 °C, estão entre os mais associados à diminuição da dor muscular.

O que começa a chegar ao mercado brasileiro é uma nova interpretação dessa prática. Desenvolvida pelo Grupo Scoz, a EvoMove Crio, da marca EvoOne, troca a exposição estática ao gelo pela combinação de frio controlado e movimento. Instalada dentro de uma cápsula ergométrica, a esteira permite caminhar ou correr em temperaturas que podem chegar a -2 °C, associando o exercício à pressão negativa na região inferior do corpo.

A proposta é promover uma recuperação ativa. Enquanto a banheira de gelo mantém o atleta parado, o equipamento permite movimento controlado e de baixa intensidade, o que pode contribuir para a circulação e a mobilidade sem impor uma nova carga elevada à musculatura. Ao mesmo tempo, a exposição ao frio desencadeia respostas destinadas à manutenção da temperatura corporal.

“Quando pensamos na EvoMove Crio, não queríamos reproduzir uma banheira de gelo dentro de uma máquina. A proposta foi desenvolver um protocolo de recuperação ativa, no qual o atleta continua se movimentando de forma controlada enquanto recebe os estímulos do frio e da pressão negativa”, explica Alberto Scoz Junior, idealizador da EvoOne.

De acordo com a empresa, a combinação torna o equipamento diferente das soluções passivas de crioterapia. Enquanto a exposição tradicional ao frio ocorre com o corpo parado, a EvoMove Crio ativa simultaneamente a musculatura e o sistema cardiovascular e exige que o organismo produza calor para preservar sua temperatura.  “O frio faz o organismo trabalhar para manter a temperatura corporal. Ao mesmo tempo, o movimento ativa a musculatura e o sistema cardiovascular. A EvoMove Crio foi concebida para reunir essas respostas em uma única sessão, de maneira controlada e ajustável”, afirma Alberto.

Protocolos para diferentes necessidades

Segundo a Scoz Junior, a temperatura, velocidade, duração e intensidade podem ser ajustadas conforme o condicionamento físico, a modalidade esportiva e os objetivos de cada usuário. Para corredores de rua, por exemplo, o equipamento pode fazer parte de protocolos planejados depois de provas longas ou entre sessões exigentes. Nos esportes com calendário concentrado, a proposta é auxiliar na recuperação entre partidas ou competições. “O corredor que acabou de concluir uma prova, o atleta que precisa se recuperar entre partidas e a pessoa que passou por um treino intenso não têm necessariamente as mesmas necessidades. Por isso, o protocolo deve ser individualizado. A tecnologia amplia as possibilidades de recuperação, mas não substitui a avaliação do profissional”, ressalta o empresário.

A recuperação ativa já integra a rotina esportiva por meio de caminhadas leves, pedaladas, exercícios de mobilidade e outras atividades de baixa intensidade. O objetivo não é acrescentar mais um treinamento intenso, mas estimular o organismo sem ampliar significativamente o desgaste muscular. Na EvoMove Crio, essa estratégia é associada a um ambiente térmico controlado e à pressão negativa.

Apesar dos benefícios associados ao frio, seu uso precisa considerar o tipo de atividade realizada e o objetivo do treinamento. Uma meta-análise publicada em 2023 apontou que a utilização frequente de imersão fria imediatamente após exercícios de resistência pode atenuar parte dos ganhos de força. Isso não significa que a crioterapia deva ser descartada, mas reforça a importância de individualizar o momento e a frequência de aplicação, especialmente entre atletas que buscam hipertrofia.

Frio e ativação da gordura marrom

Uma das respostas investigadas pela ciência é a ativação do tecido adiposo marrom, conhecido pela sigla BAT. Diferentemente da gordura branca, cuja principal função é armazenar energia, a gordura marrom utiliza energia para produzir calor — processo chamado termogênese. A exposição ao frio é reconhecida como um dos estímulos capazes de aumentar sua atividade.

Na EvoMove Crio, a empresa busca associar essa resposta ao gasto energético provocado pela caminhada ou corrida. “De acordo com as avaliações realizadas durante o desenvolvimento da EvoMove Crio, a termogênese tem participação importante no gasto energético observado. O organismo não consome energia apenas para realizar o exercício, mas também para responder ao ambiente frio e manter a temperatura corporal”, explica Alberto.

A EvoOne informa que pesquisas e avaliações conduzidas durante o desenvolvimento do equipamento apontaram gasto entre 1.000 e 1.600 quilocalorias em uma sessão de 30 minutos. O número, segundo a fabricante, considera o conjunto formado pelo exercício, pela pressão negativa e pelo esforço termorregulatório provocado pelo frio. Como ainda não há estudos clínicos independentes publicados sobre o equipamento, os resultados devem ser apresentados como estimativas da empresa e podem variar conforme o organismo e o protocolo adotado.

Outro mecanismo destacado pela EvoOne é o EPOC, sigla em inglês para consumo excessivo de oxigênio após o exercício. O fenômeno ocorre porque, depois da atividade, o organismo continua consumindo energia para recuperar seu equilíbrio fisiológico. Sua duração e intensidade variam conforme o tipo de exercício, a carga, o condicionamento físico e as características individuais.

Segundo Alberto Soz Junior, o exercício convencional pode produzir um EPOC mais concentrado nas primeiras horas após a atividade, enquanto a combinação de frio e movimento aplicada pela EvoMove Crio teria potencial para prolongar as respostas metabólicas por 24 a 48 horas.  “O encerramento da sessão não significa que todas as respostas metabólicas terminem naquele momento. De acordo com os estudos que orientaram o desenvolvimento da tecnologia, o organismo pode permanecer mobilizado nas horas seguintes para restabelecer seu equilíbrio. É esse efeito prolongado que buscamos potencializar”, diz.

Embora pesquisas já tenham identificado EPOC por períodos prolongados depois de determinados exercícios intensos, ainda são necessários estudos específicos para comparar o protocolo da EvoMove Crio com o exercício convencional e medir quanto do gasto adicional é provocado pelo frio.

Tecnologia brasileira mira mercado internacional

Resultado de 24 meses de pesquisa e de investimento superior a R$ 6 milhões, a EvoOne iniciou sua atuação simultaneamente no Brasil e na Flórida, nos Estados Unidos. A empresa mira academias de alta performance, clínicas e centros especializados em recuperação, longevidade, saúde metabólica e bem-estar. A EvoMove Crio tem valor médio de R$ 256 mil.

“Existe tecnologia brasileira sendo desenvolvida para disputar espaço em um mercado global de performance, recuperação e longevidade. Nosso objetivo é demonstrar que o Brasil também pode criar equipamentos de alta complexidade, com design, engenharia e protocolos próprios”, destaca Alberto.

A linha inclui ainda a EvoMove Hot, que associa caminhada ou corrida, pressão negativa e aquecimento infravermelho de até 42 °C. Nesse equipamento, a fabricante estima um gasto de 1000 a 1600 quilocalorias por sessão de 30 minutos. Assim como ocorre com os números da Crio, os resultados podem variar e dependem do protocolo e das características de cada usuário.

Mais do que substituir a banheira de gelo, a nova tecnologia procura reposicionar o frio como parte de uma estratégia ativa e individualizada. O lançamento acompanha uma mudança na preparação esportiva: em calendários cada vez mais intensos, recuperar-se bem já não é apenas uma etapa posterior ao treino, mas parte do próprio desempenho. “A recuperação deixou de ser entendida apenas como repouso. Para quem treina, compete ou participa de provas com frequência, ela faz parte da preparação para o próximo desafio. A EvoMove Crio nasce dessa visão: usar tecnologia e movimento para tornar esse processo mais estratégico”, conclui Alberto Scoz Junior.

 

Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.

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