Dólar cai 1,38% e fecha a R$ 5,20 com IPCA-15 abaixo da expectativa

Mercado reage à prévia da inflação menor, valorização do iene e comitiva de decisões monetárias na agenda

Dólar cai 1,38% e fecha a R$ 5,20 em sessão marcada pelo IPCA-15 abaixo do esperado, valorização do iene e expectativa por decisões monetárias no Brasil e EUA.

O dólar americano sofreu uma queda significativa de 1,38% nesta terça-feira (27), encerrando as negociações cotado a R$ 5,2067. Esse movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores internos e externos que influenciaram a percepção dos mercados.

IPCA-15 abaixo do esperado impulsiona o real

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial brasileira, registrou aumento de 0,20% em janeiro, ficando abaixo da mediana das projeções que apontavam para 0,23%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice subiu 4,50%, ligeiramente inferior à expectativa de 4,52%. Trata-se da segunda menor taxa para janeiro desde o Plano Real, atrás apenas dos 0,11% de janeiro de 2025.

Esse resultado mais favorável reforça a confiança do mercado na manutenção da taxa Selic em 15%, como deve ser decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima quarta-feira (28). Além disso, os dados reforçam a possibilidade de início de uma flexibilização monetária já em março, ainda que de forma cautelosa.

Valorização do iene e especulação por intervenção cambial

No cenário internacional, o iene japonês se valorizou significativamente, diante da especulação crescente de que o governo do Japão poderia intervir para controlar a taxa de câmbio. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou que o governo tomará medidas apropriadas se necessário e que manterá coordenação estreita com as autoridades dos Estados Unidos.

Essa valorização do iene pressionou o dólar globalmente, refletindo-se na cotação do dólar frente ao real.

Expectativa pela ‘Super Quarta’ e incertezas nos EUA

Os mercados globais também aguardam a chamada ‘Super Quarta’, momento em que serão anunciadas decisões de política monetária tanto do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos quanto do Banco Central do Brasil. Espera-se que o Fed mantenha sua taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, com atenção ao discurso do presidente Donald Trump, que pode influenciar as expectativas do mercado.

Além disso, persiste a preocupação com a possibilidade de uma nova paralisação do governo americano, o chamado shutdown, que, segundo plataformas de previsão, tem cerca de 79% de chance de ocorrer a partir do próximo sábado. Paralisações anteriores já causaram atrasos na divulgação de dados econômicos e instabilidade no mercado.

Commodities em alta beneficiam moedas emergentes

A valorização das commodities, como o petróleo Brent, que fechou em alta de 2,81% a US$ 66,59 o barril, também contribuiu para o fortalecimento do real. Países emergentes exportadores dessas matérias-primas tendem a ser beneficiados por preços elevados, o que melhora a balança comercial e reforça suas moedas.

Mercado de trabalho e perspectivas para a inflação

Apesar do IPCA-15 positivo, itens sensíveis ao mercado de trabalho continuam a apresentar aceleração, indicando resiliência dessa área da economia brasileira. Essa dinâmica reforça o cenário de cautela adotado pelo Copom nas reuniões recentes, sem mudanças bruscas na política monetária.

Segundo economistas, embora o resultado do IPCA-15 tenha algumas surpresas baixistas, como redução nos preços de veículos e energia elétrica residencial, ele não altera a postura atual do Banco Central, que permanece vigilante diante da conjuntura econômica.

O conjunto desses elementos moldou o comportamento do dólar frente ao real nesta sessão, marcando um dia de forte valorização da moeda brasileira em meio a um contexto global e doméstico complexos e repletos de eventos relevantes para os próximos meses.

Fonte: www.moneytimes.com.br

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: