Queda do dólar é impulsionada por incertezas no Payroll e fluxo estrangeiro
O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,2204, refletindo tensões geopolíticas e incertezas no mercado de trabalho.
O dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão de hoje em queda, cotado a R$ 5,2204, uma desvalorização de 0,63%. Essa movimentação é influenciada pelas conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã, que têm aliviado as tensões geopolíticas, além das incertezas em relação ao Payroll que será divulgado na próxima semana.
Tensão Geopolítica e Expectativas do Mercado
As recentes conversas entre EUA e Irã, realizadas em Omã, sinalizaram um possível afrouxamento das tensões que têm dominado a mídia internacional. A expectativa em torno do Payroll, que mede a criação de empregos nos EUA, também contribui para a volatilidade do dólar. A incerteza em torno dos dados do mercado de trabalho americano tem levado os investidores a se posicionarem de forma cautelosa, refletindo diretamente na performance do dólar no mercado global.
Impacto da Economia Americana no Mercado Brasileiro
A recente queda do dólar também é explicada pelo enfraquecimento da moeda americana no exterior. Às 17h, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de outras divisas, caiu 0,19%. Especialistas apontam que essa queda, aliada ao apetite por risco impulsionado pela alta das bolsas de Nova York, tem favorecido os ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil. O especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, ressalta que o real se beneficia do elevado diferencial de juros que o Brasil oferece, o que ainda atrai fluxo estrangeiro.
Desempenho do Dólar e Projeções Econômicas
Na semana, o dólar recuou 0,52% em relação ao real. Além disso, dados do consumidor nos EUA mostraram uma melhora no índice de sentimento, que avançou de 56,4% para 57,3%, contrariando as expectativas de queda. Porém, a presidente do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, comentou sobre a cautela das famílias em um cenário de incerteza no mercado de trabalho, enfatizando que a inflação continua sendo um fator crítico na formulação da política monetária.
No contexto interno, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou suas projeções, prevendo um crescimento econômico de 2,3% para 2026, ligeiramente abaixo da expectativa anterior. Além disso, a previsão de inflação foi elevada de 3,5% para 3,6% para o mesmo ano. O governo está ainda se preparando para um aumento significativo nos gastos com benefícios sociais nas próximas décadas, o que pode impactar a política fiscal e monetária do país.
O Caminho a Seguir
Com a expectativa de cortes de juros no Brasil a partir de março, a apreciação do real pode continuar, dependendo do fluxo de investimentos e da estabilidade política. A combinação de fatores internos e externos, incluindo as negociações entre EUA e Irã, será fundamental para determinar a direção futura do dólar e a economia brasileira. A interação entre a política monetária, fiscal e as reformas estruturais necessárias será crucial para a recuperação econômica desejada.
A dinâmica do mercado de câmbio permanece volátil, e movimentos futuros do dólar dependerão fortemente da evolução do ambiente econômico global e das políticas adotadas pelo Banco Central do Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br