Pesquisa aponta que 35,5% dos pacientes utilizam fitocanabinoides para dores como fibromialgia, lombalgia e enxaqueca
A dor crônica é atualmente a principal condição tratada com fitocanabinoides — cannabis medicinal — no Brasil. É o que aponta levantamento feito pela Cannabis & Saúde. A pesquisa engloba diferentes quadros clínicos, como fibromialgia, lombalgia, enxaqueca, artrite, artrose e dor oncológica, reforçando a relevância da terapia canabinoide no manejo dessas doenças.
De acordo com o médico Dr. Adam de Lima Alborta, especialista em medicina endocanabinoide, a diferença entre prescrever canabidiol e conduzir um tratamento completo é fundamental para os resultados clínicos no controle dessas condições. “Prescrever canabidiol é um ato pontual. Conduzir tratamento é um processo. O acompanhamento define estratégia, monitora a resposta, ajusta a dose e avalia se aquilo realmente resolve o problema do paciente”, destaca.
O especialista destaca que o uso sem monitoramento profissional pode trazer riscos relevantes. Entre os principais estão a dose inadequada, que compromete a eficácia, e a escolha incorreta da formulação, especialmente em relação à presença de THC. “A presença ou ausência de THC muda completamente o efeito, podendo limitar o resultado ou gerar efeitos indesejados”, explica.
Outro ponto crítico é a necessidade de individualização da dose. Segundo o médico, não existe uma posologia padrão para o canabidiol, já que a resposta varia conforme a condição clínica e o perfil do paciente. Além disso, o canabidiol pode interagir com outros medicamentos ao interferir em enzimas hepáticas do sistema CYP450, afetando substâncias como antidepressivos, anticonvulsivantes, benzodiazepínicos e anticoagulantes.
O uso inadequado também pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos. “Em quadros de dor crônica, ansiedade e distúrbios do sono, o paciente pode aliviar o sintoma sem investigar a causa, o que retarda a identificação de doenças inflamatórias, neurológicas ou psiquiátricas”, ressalta o especialista. Sinais como ausência de melhora após ajustes, necessidade constante de aumento de dose e efeitos colaterais indicam falha terapêutica e exigem reavaliação.
Por fim, o médico alerta para erros comuns entre pacientes que utilizam canabidiol por conta própria, como a falta de objetivo terapêutico, a replicação de doses da internet e a troca de produtos sem critério. “Medicina não é só o que você usa. É como, por que e com qual direção você usa”, conclui Dr. Adam.
Para mais informações sobre o trabalho do Dr. Adam de Lima Alborta, acesse os perfis oficiais no Instagram: @cbdsaudeonline e https://www.dradamalborta.com.br/.