Pesquisadores sugerem que invenções do passado podem conter descobertas ocultas
Estudo revela que Edison pode ter produzido grafeno acidentalmente em 1879.
Thomas Edison, conhecido por suas contribuições inovadoras, morreu sem nunca ter ouvido falar do grafeno. O termo só se tornaria conhecido quase duas décadas após sua morte, com o físico P. R. Wallace apresentando o conceito teórico. Embora o grafeno tenha sido isolado apenas em 2004, um estudo recente da Universidade Rice sugere que Edison pode ter criado esse material acidentalmente em 1879, muito antes de a ciência entender seu potencial.
A História do Grafeno e Suas Propriedades
O grafeno é uma forma de carbono com uma estrutura bidimensional, notável por suas propriedades excepcionais. Trata-se de um material leve, flexível e extremamente resistente, além de ter notáveis características elétricas e mecânicas que o tornam ideal para uma variedade de aplicações modernas, incluindo semicondutores, células solares e telas sensíveis ao toque. A história do grafeno é marcada por um reconhecimento tardio, que culminou no Prêmio Nobel de Física em 2010, quando os pesquisadores Andre Geim e Konstantin Novoselov isolaram pela primeira vez o material em laboratório.
A Pesquisa e o Experimento Revisitado
O estudo da Universidade Rice, liderado pelo químico James Tour, surgiu quase por acaso. O aluno de pós-graduação Lucas Eddy estava explorando métodos acessíveis para a produção de grafeno. Durante suas investigações, Eddy recordou que os primeiros filamentos de lâmpada utilizados por Edison eram feitos de carbono, incluindo bambu carbonizado, um material que Edison favorecia. Inspirado, ele decidiu replicar um experimento semelhante ao de Edison, utilizando lâmpadas artesanais.
As lâmpadas foram projetadas para funcionar com a mesma tensão que Edison usava, e o experimento consistiu em acendê-las por 20 segundos para criar uma condição de aquecimento rápido, conhecida como efeito Joule. O resultado foi surpreendente: os filamentos passaram de um cinza opaco a um brilho prateado, indicando uma transformação. Essa mudança foi confirmada por espectroscopia Raman, que revelou a presença de grafeno turbostático, uma forma que se forma sob condições extremas de temperatura.
Reflexões sobre Descobertas Ocultas
Embora Edison não tenha tido consciência do que poderia ter criado, o estudo levanta questões intrigantes sobre a história da ciência. O grafeno, se realmente gerado por Edison, teria se degradado em grafite comum com o uso contínuo, tornando-se irreconhecível. Além disso, as aplicações práticas do grafeno estavam muito além das necessidades tecnológicas da época de Edison, o que inviabilizaria qualquer aproveitamento do material.
A pesquisa também sugere que outras invenções históricas, como tubos de raios-X e lâmpadas de arco, podem ter gerado acidentalmente materiais ou reações desconhecidas que ainda não foram exploradas. James Tour reflete sobre a curiosidade que essa descoberta provoca: quantas outras inovações estão escondidas em experimentos do passado que não foram interpretados corretamente por seus autores?
Conclusão
A possibilidade de que Thomas Edison tenha criado grafeno acidentalmente em 1879 não apenas destaca o potencial de descobertas ocultas em experimentos históricos, mas também convida a uma reflexão mais ampla sobre a evolução da ciência e como as inovações podem ter surgido sem o reconhecimento adequado em seu tempo. Revisitar essas histórias pode nos oferecer novas perspectivas e oportunidades para avanços tecnológicos atuais.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: em preto e branco de Thomas Edison