Educação: Férias também é tempo de aprender

Fotos: Freepik.

Psicopedagoga explica que brincadeiras, leitura e experiências cotidianas ajudam a estimular o desenvolvimento das crianças ao longo do período sem aulas

 

 

 

 

Para muitas crianças, as férias escolares de verão costumam ser o período mais aguardado do ano. Neste momento elas guardam as mochilas, esquecem os despertadores e aproveitam o tempo livre. Já os pais e educadores se deparam com o desafio de garantir o descanso, sem que os pequenos percam o ritmo de aprendizado conquistado ao longo dos meses de estudo.

De acordo com Fabiane Dresch, psicopedagoga e coordenadora pedagógica do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR), manter a mente ativa durante o recesso é fundamental para evitar o chamado Summer Slide; termo em inglês que descreve o retrocesso de habilidades e conhecimentos devido a longos períodos sem estímulo cognitivo.

“Embora o repouso seja uma necessidade biológica, a falta total de desafios mentais pode custar caro no retorno às aulas. Longos períodos sem estímulos cognitivos podem levar à perda de conhecimentos e aptidões adquiridas durante o ano letivo. Manter a mente ativa previne esse retrocesso”, explica Fabiane.

Aprendizagem disfarçada no cotidiano

A especialista defende que o aprendizado nas férias deve ser encarado como uma extensão divertida do lazer. Para os pais, a mudança de mentalidade é o primeiro passo, já que as atividades não devem ser encaradas como “tarefas”, mas experiências que despertem a curiosidade natural da criança.

Fabiane sugere que os pais e familiares utilizem situações do dia a dia para estimular diferentes áreas do conhecimento, de forma orgânica, contextualizada, sem cobranças excessivas e com equilíbrio. Veja três recomendações:

1)      Cozinhar em família: preparar uma receita não é apenas um momento de afeto, mas uma aula prática de matemática e ciências. Ao medir ingredientes, a criança trabalha noções de proporção e volume. Ao observar o bolo crescer no forno, ela presencia transformações químicas e físicas na prática.

 

2)      Turismo local: um passeio por pontos turísticos, museus ou até mesmo uma praça histórica da cidade pode se transformar em uma aula de geografia e história. Entender a origem de um monumento ou a vegetação de um parque local ajuda a criança a conectar o que lê nos livros com o mundo real.

 

3)      Jogos de tabuleiro: são aliados poderosos do raciocínio lógico e da cognição. Eles ensinam estratégia, paciência, respeito às regras e ajudam a lidar com frustrações de forma lúdica.

 

 

 

Tecnologia: do consumo passivo à criação ativa

Durante as férias escolares, o uso das telas costuma ser um ponto de conflito nas famílias. Para evitar que isso aconteça, a coordenadora pedagógica aconselha elaborar um “Acordo de Férias” e que a tecnologia seja tratada com intencionalidade e moderação, em vez de ser encarada como uma vilã ou ‘passatempo infinito’.

“Os pais devem sentar-se com os filhos e estabelecer um cronograma diário visível, talvez na porta da geladeira, com limites de tempo negociados de acordo com a idade. Quando o limite é acordado e não apenas imposto, a aceitação é muito maior”, orienta.

Além disso, o foco deve migrar do consumo para a criação. Em vez de apenas assistir a vídeos, a criança pode ser incentivada a usar aplicativos para criar suas próprias histórias, editar fotos ou realizar pesquisas sobre temas de seu interesse. “Transformar o tempo de tela em uma atividade compartilhada, como assistir a um documentário juntos e discuti-lo depois, também enriquece a experiência”, destaca Fabiane Dresch.

 

 

 

Leitura como ferramenta de aprendizado contínuo

Segundo a psicopedagoga, a leitura é uma das principais ferramentas contra a perda de aprendizagem. Além de ampliar o vocabulário e o conhecimento de mundo, ela desenvolve a criatividade de uma forma única. Para que o hábito não se perca nas férias, é preciso estimulá-lo com leveza e sem pressão.

“O segredo está em transformar a leitura em uma atividade aconchegante. Criar um ambiente acolhedor, com livros acessíveis e praticar a leitura compartilhada, onde pais e filhos leem juntos, torna o momento prazeroso e não uma obrigação escolar”, afirma Fabiane.

 

Fotos: Freepik.

 

O valor das experiências ao ar livre

Por fim, a coordenadora pedagógica do Colégio Integrado ressalta que as experiências culturais e as brincadeiras ao ar livre são insubstituíveis.

“Elas formam a espinha dorsal do aprendizado. Passeios e brincadeiras oferecem um aprendizado multissensorial, prático e contextualizado. Essas vivências contribuem de forma integral para o desenvolvimento motor, social e emocional da criança, consolidando conhecimentos de maneira profunda e significativa”, salienta.

“Ao final das férias, a criança que brincou, criou, leu e explorou voltará para a escola não apenas descansada, mas com um repertório renovado e pronta para os novos desafios do próximo ano letivo”, completa Fabiane Dresch.

Fonte: Assessoria de Imprensa. / Fotos: Freepik.

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