Neste domingo (12), a Hungria vai às urnas em um pleito que pode significar o fim de 16 anos de Viktor Orbán à frente do governo. A disputa ocorre contra Péter Magyar, um ex-aliado que ganhou destaque ao criticar o atual premiê e sua administração, em meio a denúncias de interferência externa. Pesquisas indicam que a oposição pode conquistar uma vitória expressiva, resultando em uma mudança significativa no cenário político do país.
Viktor Orbán, que começou sua trajetória como primeiro-ministro em 1998, retornou ao poder em 2010 e desde então se manteve no cargo, utilizando sua legenda, o Fidesz, para implementar uma série de reformas na Constituição e aprovar leis que caracterizam sua visão de uma "democracia cristã iliberal". Durante seu governo, as liberdades de imprensa e a independência do Judiciário foram comprometidas, além de restrições aos direitos da comunidade LGBTQIA+.
Apesar do apoio contínuo que Orbán recebeu em eleições anteriores, sua popularidade diminuiu devido à estagnação econômica e à percepção de um enriquecimento de uma elite próxima ao governo. Em contraste, Péter Magyar, líder do partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza, tem se destacado por promessas de reaproximar a Hungria da União Europeia e de seus aliados ocidentais, política que foi rejeitada por Orbán nos últimos anos.
Magyar, que se afastou do premiê ao acusá-lo de corrupção, também se comprometeu a adotar uma postura pragmática em relação à Rússia e a implementar medidas rigorosas contra a corrupção, além de fortalecer a independência da mídia pública e do Judiciário. Suas propostas incluem a limitação de mandatos para primeiros-ministros e melhorias nas áreas de saúde e educação.
Analistas, como Mujtaba Rahman do Eurasia Group, afirmam que Magyar deve buscar uma abordagem mais colaborativa com a União Europeia e a Otan, embora não se espere que ele mude de forma radical sua posição em questões centrais, como a política migratória.
As Eleições na Hungria ocorrem em um contexto de crescente tensão política e a possibilidade de um realinhamento nas relações do país com o Ocidente, que pode ter impactos significativos na política interna e externa húngara.