O CEO alerta que a produção de chips ultrapassa a capacidade elétrica disponível, enquanto a China avança no setor solar
Elon Musk alerta que a limitação para expansão da IA nos EUA é a energia elétrica, problema que a China não enfrenta devido ao avanço solar.
Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX, afirmou em Davos que a “limitação fundamental para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) é o fornecimento de energia elétrica”. Segundo ele, os Estados Unidos estão produzindo chips para IA em uma escala que em breve ultrapassará a capacidade do país de fornecê-los energia para funcionar. “Pode ser que ainda este ano estaremos produzindo mais chips do que conseguimos ligar”, alertou.
Energia elétrica como gargalo para a IA nos EUA
A infraestrutura elétrica dos EUA enfrenta desafios devido a décadas de subinvestimento e envelhecimento, dificultando a expansão da capacidade para suportar grandes centros de dados dedicados à IA. Dois grandes data centers da Nvidia em Santa Clara, Califórnia, por exemplo, podem ficar ociosos por anos aguardando disponibilidade energética. Além disso, a demanda crescente elevou os custos da eletricidade para consumidores americanos.
A China e o avanço na energia solar
Ao contrário dos EUA, a China não enfrenta as mesmas limitações e tem investido massivamente em energia solar como fonte principal para abastecer seu crescimento tecnológico. Dados do Global Energy Monitor indicam que a China possui quase quatro vezes mais capacidade operacional de energia solar que os EUA, com expectativa de ultrapassar 1.1 milhão de MWac em energia fotovoltaica, contra cerca de 238 mil MWac dos americanos.
Políticas e barreiras nos EUA para energias renováveis
Apesar da necessidade urgente de modernização, políticas recentes nos Estados Unidos, como tarifas elevadas sobre equipamentos solares importados e a retirada de subsídios para energia renovável, prejudicam o avanço da energia solar. Musk destacou que essas tarifas “tornam artificialmente elevado o custo econômico” para implantação solar e dificultam a expansão da matriz energética necessária para alimentar a IA.
Propostas para superar o desafio energético
Autoridades americanas, incluindo o secretário do Interior, Doug Burgum, reconhecem a transformação que a IA trará para a economia e a urgência em ampliar a geração energética para competir com a China. O ex-presidente Donald Trump chegou a sugerir a construção de usinas nucleares pelas próprias empresas de tecnologia, prometendo aprovações rápidas, embora tal processo normalmente demore anos.
O potencial da energia solar nos EUA
Musk ressaltou que a energia solar poderia suprir toda a demanda elétrica dos EUA utilizando uma área relativamente pequena — um campo solar de 100 milhas por 100 milhas. A adoção desse modelo, no entanto, enfrenta resistência regulatória e tarifária que retardam a modernização necessária para acompanhar a revolução da inteligência artificial.
Os debates evidenciam que a capacidade energética e a infraestrutura são um ponto crucial para o avanço da IA nos Estados Unidos, colocando em destaque a disputa tecnológica global com a China, que já possui vantagens significativas no setor energético renovável.
