Endividamento. O cruel conta gotas do produtor rural.

Em meio a inúmeros canais de comunicação não há onde não se mencione algo a respeito do agronegócio e das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais que deixe de mencionar a questão do endividamento.


O que, outrora, no século passado tratava-se de mostrar o sofrimento físico, a falta de ferramentas de trabalho que traziam tanto desgaste corporal, foi, então, com o advento do século vinte e um, mais especificamente, que a narrativa mudou.


Maquinas tecnológicas, técnicas de produção mais assertivas, digitalização e inovação.
Tudo isso trouxe ao antigo homem do campo uma mudança de status no que concerne ao modus operandi de trabalho, bem como, proporcionou a nova geração maiores possibilidades com melhores meios de realizar seu labor.


O labor dignifica o homem, assim relata a herança bíblica.

Em meio a tantas mudanças o homem do campo, que antes sofria pela falta melhores ferramentas de trabalho, atualmente os tem em abundância. Maquinários maiores, mais ágeis, mais tecnológicos, suporte técnico extremamente aprimorado, porém, como diz o ditado popular, tudo tem um preço.
Quando a evolução trouxe ao homem do campo soluções para o trabalho braçal de outros tempos, as questões financeiras vieram com novos desafios, causados pela falta estrutura financeira, bancária e porque não dizemos, política.

Estamos no século vinte e um e o produtor que deveria estar produzindo com equilíbrio em sua propriedade, enfrenta dificuldades financeiras gigantescas. Por sua culpa? Evidente que não !

Ao produtor que constrói ao longo de uma vida inteira de trabalho um legado, uma herança para seus herdeiros, vem enfrentando um cruel conta gostas diário com as questões financeiras.
Programas governamentais ineficientes que não o salvam em meio grandes frustrações de safras, pois não possui tanta estrutura financeira para suportar 2, 3, 5 anos de perdas.
Instituições bancárias que atropelam os ordenamentos jurídicos, aplicando suas próprias leis, vendendo operações com juros acima do permitido, alterando a natureza de uma operação do agronegócio para outra a juros comerciais como sendo empréstimos pessoais.

Neste conta gotas a operação financeira do produtor vai se inundando de dívidas que acumulam até chegar ao ponto de não dar mais a volta. Esse conta gotas, afeta todas as áreas da vida, alterando questões psicológicas, relacionamentos, família e até mesmo tirando de dentro do peito a força motriz que o faz forte, levando a um sufoco invisível, que, infelizmente, em algumas situações leva ao suicídio.

É necessário que ocorram mudanças imediatas que renovem as forças do homem do campo, que lhe deem condições de seguir trabalhando dignamente, com alegria, leveza e a certeza que assim como alimenta o país, a nação o está nutrindo com a valorização merecida.

Por: Tobias Moresco Todeschini – Advogado

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