Entenda a prosopagnosia, a condição que dificulta o reconhecimento facial, como relatado

O ator Brad Pitt trouxe à tona a prosopagnosia, uma condição neurológica que é comumente referida como “cegueira facial”. Ele relatou a dificuldade em reconhecer rostos, mesmo de pessoas próximas, e expressou preocupação sobre como isso pode ser interpretado como desinteresse ou arrogância em encontros sociais. A prosopagnosia, apesar do nome, não está relacionada à visão, mas sim à forma como o cérebro processa e identifica rostos.

Para esclarecer a condição, o neurologista Dr. Carlos Regoto discutiu as características da prosopagnosia, que pode ser adquirida ou congênita. Segundo ele, a condição resulta na dificuldade ou até na incapacidade de reconhecer rostos familiares, amigos e até o próprio rosto, nos casos mais severos. O professor enfatizou que, embora a visão esteja geralmente preservada, o problema reside no reconhecimento facial.

Dados de uma pesquisa publicada em 2023 na revista científica Cortex, realizada por pesquisadores da Harvard Medical School e do VA Boston Healthcare System, indicam que 1 em cada 33 pessoas pode apresentar algum grau de prosopagnosia. Além disso, 1 em cada 47 pessoas vive com a forma leve do transtorno, enquanto 1 em cada 108 apresenta casos mais graves.

O neurologista também comentou sobre o impacto social e profissional da prosopagnosia. Muitas pessoas afetadas podem não reconhecer colegas ou familiares em situações cotidianas, o que pode resultar em constrangimento, ansiedade e até isolamento social. Para esses pacientes, o tratamento é voltado para o desenvolvimento de estratégias compensatórias, que ajudam a minimizar os efeitos do transtorno na rotina diária.

Em relação à prevenção da condição, o Dr. Regoto destacou que, na forma congênita, não existem métodos conhecidos de prevenção. Entretanto, nos casos adquiridos, o controle de fatores de risco, como hipertensão e diabetes, pode ser relevante para reduzir as chances de lesões cerebrais que levam à prosopagnosia. O diagnóstico precoce, conforme enfatizado pelo especialista, é crucial para facilitar a adaptação social e emocional dos pacientes, uma vez que a condição é mais prevalente do que se imaginava anteriormente, com estimativas indicando que cerca de 1 em cada 33 pessoas nos EUA pode apresentar essa dificuldade de reconhecimento facial.

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