A Revolução Constitucionalista de 1932 é reconhecida como o maior conflito armado no Brasil entre a Proclamação da República e a Segunda Guerra Mundial. O movimento começou em 9 de julho de 1932, com o objetivo de pressionar o Governo Provisório de Getúlio Vargas a restaurar a ordem constitucional. Os líderes do movimento exigiam a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, reivindicando um regime baseado na separação dos Poderes e na legalidade.
Apesar de ser derrotada militarmente após quase três meses de combates, a revolução é vista por historiadores como um marco importante na redemocratização do país. O movimento contribuiu para a convocação da Assembleia Constituinte que resultou na Constituição de 1934, um passo fundamental para a reestruturação do sistema político brasileiro.
A data de 9 de julho, que marca o início da revolução, tornou-se um feriado cívico no estado de São Paulo. A instituição desse feriado se deu por meio da Lei nº 9.497, de 1997, respaldada pela Lei Federal nº 9.093, de 1995, que permite aos estados designar uma data magna em relação à sua história.
Para entender as causas da Revolução Constitucionalista, é necessário voltar a 1930, quando Getúlio Vargas chegou ao poder após impedir a posse do presidente eleito Júlio Prestes, encerrando assim a vigência da República Velha. Com a instalação do Governo Provisório, Vargas centralizou poderes no Executivo, dissolvendo o Congresso Nacional e substituindo os governadores por interventores nomeados. Essa concentração de poder levou à suspensão da Constituição de 1891, que não mais organizava o Estado brasileiro.
O movimento constitucionalista não foi apenas uma disputa regional, mas uma luta pela restabelecimento da ordem constitucional. A derrota militar das tropas paulistas foi seguida por uma vitória institucional, já que em 1933, Vargas convocou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a nova Constituição em 1934. Essa nova Carta restabeleceu a organização do Estado, redefiniu as competências dos Poderes e ampliou direitos políticos e sociais, encerrando o período de Governo Provisório.
Portanto, a Revolução Constitucionalista de 1932 permanece como um importante símbolo da luta pelo constitucionalismo no Brasil. Apesar das divergências sobre suas motivações, é amplamente aceito que seus desdobramentos impactaram diretamente a reconstrução da ordem constitucional no país.