Entendendo a misofonia: as origens da irritação com sons comuns

Nova pesquisa revela complexidades psicológicas da condição

Pesquisa investiga a misofonia, mostrando que reações a sons específicos refletem traços psicológicos mais amplos.

Cientistas traçaram pela primeira vez as origens da misofonia, condição em que sons específicos — como mastigar, fungada ou o clique de uma caneta — desencadeiam reações emocionais intensas, como raiva, nojo ou ansiedade. A pesquisa, publicada no British Journal of Psychology, indica que a característica não é apenas uma irritação, mas reflete traços psicológicos e cognitivos mais amplos.

A pesquisa e seus achados

De acordo com o estudo, pessoas com misofonia tendem a ter dificuldade em mudar o foco da atenção em situações emocionalmente carregadas, apresentam menor flexibilidade cognitiva e são mais propensas à ruminação. Essa condição, embora vista por alguns como uma excentricidade, causa grande sofrimento e impacto social.

Implicações psicológicas

O novo estudo investigou se esses desafios estão relacionados à flexibilidade afetiva. Com 140 adultos participando de tarefas psicológicas e questionários, foi revelado que um quarto dos participantes apresentava misofonia clinicamente significativa. Os resultados mostraram que indivíduos com misofonia mais intensa tiveram pior desempenho em tarefas de flexibilidade afetiva.

Relação com a ruminação

Outro achado importante foi que participantes com níveis altos de misofonia também tendem a ruminar mais, refletindo pensamentos repetitivos de autocrítica e raiva. A autora do estudo, Mercede Erfanian, destacou que a misofonia não é apenas uma mania, mas um transtorno complexo que pode ajudar a aprimorar abordagens de tratamento e reduzir o estigma associado.

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