Entre plantões, cadernos e mamadeiras: mãe de três filhos volta à universidade para cursar Medicina

Aos 33 anos, Camila Morais concilia maternidade, estudos e rotina intensa para realizar o sonho de se tornar médica — e transformar o futuro dos filhos

A rotina de Camila Morais começa cedo — e termina tarde. Entre livros, aulas e tarefas acadêmicas, ela também divide o tempo com três filhos pequenos, Bella, de 10 anos, Noah, de 3, e o pequeno Kai, de apenas 10 meses. No meio de tudo isso, ainda há espaço para cuidar da casa, da família e de si mesma, mesmo que isso signifique viver dias intensos e, muitas vezes, exaustivos.

Aos 33 anos, Camila decidiu mudar o rumo da própria história ao ingressar no curso de Medicina no Centro Universitário FAPI, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. A decisão, embora cheia de propósito, trouxe desafios diários — especialmente emocionais.

“Minha principal dificuldade, sem dúvida, é o sentimento de culpa por não conseguir estar presente o tempo todo. Mesmo sabendo que estou tentando ensinar algo bom, esse sentimento aparece”, conta.

A sobrecarga é real, mas também é acompanhada de uma motivação ainda maior. Para dar conta da rotina, Camila aproveita cada intervalo em que os filhos estão na escola para estudar e tenta transformar os momentos em família em oportunidades de conexão.

“Eu incluo eles na minha rotina. Converso sobre o que estou aprendendo, incentivo momentos de estudo juntos. E, quando é hora de brincar, procuro estar realmente presente”, explica.

A rede de apoio tem papel essencial nessa jornada. O marido, a mãe e a irmã ajudam a manter a rotina funcionando — um suporte que, segundo ela, é indispensável.

“Eu não conseguiria sem eles. Isso faz total diferença.”

Dentro da faculdade o acolhimento também tem impacto direto na permanência e no bem-estar de mães estudantes. Para Camila, a compreensão de professores e o contato com outras alunas que vivem a mesma realidade ajudam a reduzir o sentimento de solidão.

“Nos primeiros dias, conversei com outras mães e percebi que as dificuldades são parecidas. Esses momentos acolhem, fazem a gente se sentir menos sozinha.”

Mais do que uma conquista pessoal, a decisão de voltar a estudar carrega um propósito maior: ser exemplo dentro de casa.

“Quero mostrar para os meus filhos que é possível recomeçar, estudar e conquistar algo difícil. Eles fazem parte disso tudo.”

Apesar dos avanços, Camila acredita que as instituições de ensino ainda podem evoluir mais no acolhimento de mães acadêmicas. Entre as sugestões estão espaços de escuta psicológica, políticas voltadas à saúde da mulher e incentivo a redes de apoio.

Para ela, o impacto vai muito além da sala de aula.

“Uma rede de apoio estruturada dentro das universidades pode fazer toda a diferença para que mães consigam se desenvolver profissionalmente.”

Entre a correria, o cansaço e os desafios diários, Camila segue construindo — aula após aula — não apenas uma carreira, mas um exemplo de coragem, persistência e amor.

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: