A idade, isoladamente, não define quando uma mulher deve iniciar ou repetir a mamografia. É o que aponta o médico Alexandre Pimenta, responsável Técnico Nacional da AmorSaúde (CRM-MG 51971), ao comparar dois casos hipotéticos de mulheres com 45 anos. A primeira não tem histórico familiar de câncer de mama nem outros fatores de risco relevantes. A segunda tem mãe e irmã diagnosticadas antes dos 50 anos. Mesmo com a mesma idade, as necessidades de acompanhamento podem ser distintas.
No Brasil, o Ministério da Saúde atualizou em 2025 as orientações para o rastreamento mamográfico no Sistema Único de Saúde (SUS). A faixa prioritária é de 50 a 74 anos, com exames a cada dois anos. Para mulheres de 40 a 49 anos, a mamografia deve ser considerada após informação sobre benefícios e riscos. Nos Estados Unidos, a US Preventive Services Task Force recomenda mamografia bienal dos 40 aos 74 anos, enquanto outras sociedades científicas adotam intervalos diferentes.
A mamografia é essencial para a detecção precoce, mas tem limitações, como resultados falso-positivos e sobrediagnóstico. Algumas mulheres podem ter risco elevado que justifique acompanhamento mais intensivo, eventualmente iniciado antes da idade habitual. Histórico familiar, predisposição genética, antecedentes pessoais, densidade mamária e tratamentos prévios modificam as recomendações. A ausência de histórico familiar, no entanto, não significa ausência de risco, já que a maioria dos diagnósticos ocorre em mulheres sem histórico significativo.
Alterações hereditárias em genes como BRCA1 e BRCA2 elevam a probabilidade de certos cânceres, e a suspeita pode indicar aconselhamento genético e testes moleculares. Radioterapia prévia no tórax em idade jovem e alterações em biópsias anteriores também merecem atenção. Mamas densas dificultam a identificação de lesões e se associam a maior risco, mas nem toda mulher nessa condição precisa de ultrassonografia ou ressonância complementar. A decisão deve considerar o risco global e as evidências disponíveis.
Pimenta destaca que a prevenção também envolve fatores modificáveis, como atividade física regular, peso saudável após a menopausa e redução ou abstinência de bebidas alcoólicas. A avaliação individualizada, afirma, não pode ser privilégio de alguns grupos e deve fazer parte de uma assistência acessível. O Outubro Rosa, segundo ele, é oportunidade para ampliar o debate sobre informação de qualidade, acesso aos serviços e continuidade do cuidado. A melhor estratégia, conclui, é oferecer o cuidado certo, no momento adequado, considerando o risco e a realidade de cada mulher.