Desempenho abaixo do esperado reflete desafios enfrentados pelo setor
A produção industrial no Brasil ficou estagnada em novembro, frustrando expectativas de crescimento e refletindo a fragilidade do setor em 2025.
A produção industrial no Brasil permaneceu estagnada em novembro de 2025, apresentando uma frustração considerável em relação às expectativas de crescimento. Economistas previam um avanço de 0,2%, mas o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a produção não variou em relação ao mês anterior. Além disso, quando comparada ao mesmo mês do ano anterior, a produção caiu 1,2%, superando a expectativa de um recuo de apenas 0,1%. Essa performance negativa destaca a fragilidade do setor industrial, que ainda se encontra 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Desempenho da Indústria Brasileira em 2025
O cenário de estagnação da indústria brasileira em 2025 é agravado pela política monetária restritiva e pelos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A taxa básica de juros, a Selic, encerrou o ano em 15%, após o Banco Central decidir manter esse patamar em sua última reunião do ano. Essa estratégia visa controlar a inflação, mas também limita o crescimento do setor produtivo. André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a elevada taxa de juros, aliada ao tarifaço americano, impacta diretamente a competitividade das indústrias brasileiras no mercado global.
O gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo, enfatiza que, embora a indústria tenha demonstrado uma estabilidade ao longo do ano, o desempenho de novembro foi predominantemente negativo, refletindo uma continuidade da tendência de desaceleração. A pesquisa do IBGE indicou que 15 dos 25 ramos analisados apresentaram recuo em relação ao mês anterior, com destaque para a indústria extrativa, que sofreu uma retração de 2,6%. Essa queda foi fortemente influenciada pela diminuição na produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro.
Setores Afetados e Perspectivas Futuras
Os dados de novembro revelam que outros setores também enfrentaram dificuldades. A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu 1,6%, enquanto produtos químicos e alimentícios registraram quedas de 1,2% e 0,5%, respectivamente. O segmento de bebidas, por sua vez, viu uma retração de 2,1%. Em contrapartida, o setor de bens de capital e os bens de consumo semi e não duráveis apresentaram ligeiras altas, de 0,7% e 0,6%, respectivamente.
O panorama atual levanta preocupações sobre a recuperação da indústria em 2026. A manutenção de juros elevados pode continuar a restringir os investimentos e a produção, enquanto o ambiente econômico internacional, impactado por tarifas, adiciona uma camada adicional de incerteza. O governo e os formuladores de políticas enfrentarão o desafio de implementar medidas que incentivem o crescimento sem comprometer a estabilidade econômica, um equilíbrio delicado em tempos de incerteza global.
Fonte: www.moneytimes.com.br
