A surpreendente história de uma mulher que enganou uma família em Joinville, Santa Catarina, ao se passar por uma menina de 12 anos, ganhou novos contornos. A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que a acusada já era conhecida das autoridades, tendo sido presa em 2023 em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, pelo mesmo golpe.
Na ocasião anterior, a criminosa elaborou uma narrativa que poderia ser descrita como digna de um filme de terror. Ela alegava ter fugido do Nordeste para escapar de uma rede de prostituição e de rituais de bruxaria supostamente promovidos por seu pai. O enredo para justificar seu comportamento na nova abordagem em Santa Catarina era semelhante; a mulher dizia ter autismo e afirmava que hormônios eram administrados na infância para aparentar mais idade e atrair “clientes”.
Para dar credibilidade à sua farsa, a estelionatária fazia desenhos perturbadores que retratavam abusos infantis e apresentava exames de raio-x que supostamente mostravam agulhas em seu corpo. Sua manipulação foi tamanha que as vítimas, que a conheceram por meio de um projeto social, chegaram a alugar uma casa, comprar roupas e mantimentos, além de custear sessões de terapia.
A situação começou a mudar quando as vítimas decidiram buscar a ajuda da polícia, o que levou à descoberta da extensa ficha criminal da mulher. Apesar de ter sido presa por estelionato e falsidade ideológica no Rio de Janeiro, a mulher conseguiu voltar a agir. Desta vez, no Sul do Brasil, ela foi acolhida por fiéis de uma igreja e adotada por uma família, que a chamava de “Gabriele”.
Durante um período de 14 meses, a estelionatária simulou crises de pânico, afinou sua voz e criou uma imagem de carência extrema, o que lhe garantiu um quarto decorado com brinquedos e atenção exclusiva. A situação só foi desmascarada quando um parente começou a desconfiar e acionou as autoridades locais, resultando na prisão da mulher mais uma vez.
O caso ressalta a habilidade de manipulação da acusada, que, mesmo após ter sido presa, conseguiu enganar novas vítimas utilizando um roteiro semelhante, levantando questões sobre a segurança e a prevenção contra fraudes desse tipo em comunidades vulneráveis.