Uma nova classe de objeto cósmico pode ter sido descoberta a 11 bilhões de anos-luz da Terra.
Astrônomos investigam um corpo celeste misterioso com a massa de 1 milhão de sóis, localizado a 11 bilhões de anos-luz.
Um corpo celeste completamente escuro e misterioso, conhecido como “misterioso disruptor”, apresenta uma massa de 1 milhão de sóis e um possível núcleo de buraco negro, intrigando os astrônomos. Localizado a 11 bilhões de anos-luz da Terra, este objeto foi descoberto em 2025 devido à sua influência gravitacional, tornando-se o corpo mais distante já detectado apenas por seus efeitos gravitacionais.
Características do misterioso disruptor
Os cientistas têm certeza de que o núcleo deste corpo cósmico é consistente com um buraco negro ou um núcleo estelar denso, representando cerca de um quarto da massa total do objeto. Conforme se afasta do centro, a densidade do objeto se achatada em um componente semelhante a um disco. “Esta estrutura nunca foi vista antes, então pode representar uma nova classe de objeto escuro”, afirmou Simona Vegetti, líder da equipe de pesquisa do Instituto Max Planck de Astrofísica, na Alemanha.
A lente gravitacional JVAS B1938+666
O misterioso disruptor foi encontrado no sistema de lente gravitacional JVAS B1938+666. Este fenômeno foi previsto por Einstein em 1915 e ocorre quando a luz de uma fonte de fundo passa pela curvatura do espaço causada por um objeto massivo à frente, conhecido como lente gravitacional. Essa curvatura não apenas permite que objetos sejam vistos a grandes distâncias, mas também fornece informações sobre a distribuição de massa dentro do sistema de lente.
Desafios na pesquisa
O sistema JVAS B1938+666 contém corpos massivos a distâncias que variam entre 6,5 bilhões e 11 bilhões de anos-luz. O misterioso disruptor, sendo completamente invisível, apresentou enormes desafios para os astrônomos que tentaram reconstruir a distribuição de massa nesta região. “Separar todos os componentes de massa de um objeto tão distante e de baixa massa utilizando lentes gravitacionais foi extremamente desafiador e incrivelmente emocionante”, disse Vegetti.
Análise e comparação com modelos
Para investigar o misterioso disruptor, a equipe analisou pequenas perturbações que ele causa no arco geral da lente gravitacional. Compararam dados coletados por um conjunto de telescópios, incluindo o Telescópio Green Bank, a vários modelos de matéria escura. Infelizmente, nenhum desses modelos pôde explicar as características do misterioso disruptor, que possui um perfil de densidade peculiar, sendo especialmente denso no centro e se estendendo a distâncias muito maiores do que as normalmente observadas em galáxias ou sistemas estelares.
O futuro da pesquisa
Embora as investigações até agora tenham utilizado telescópios de rádio, futuros estudos poderão utilizar telescópios que operam em outras faixas de luz, como a visão infravermelha do Telescópio Espacial James Webb (JWST). “Se conseguirmos observar alguma forma de emissão de luz no espectro visível ou infravermelho, poderemos concluir que se trata de uma galáxia anã ultracompacta, com um halo estelar anômalo”, afirmou Cristiana Spingola, membro da equipe. Caso contrário, se o JWST não detectar luz estelar ou matéria visível, isso indicaria um objeto cujas propriedades são difíceis de explicar com os modelos atuais de matéria escura.
Publicação e reconhecimento
As descobertas da equipe foram publicadas na revista Nature Astronomy no dia 5 de janeiro de 2026, destacando a importância dessa pesquisa na compreensão das estruturas cósmicas desconhecidas. O mistério em torno do misterioso disruptor continua a fascinar os astrônomos e a comunidade científica, que aguardam ansiosamente por novas revelações sobre este enigmático corpo celeste.
Fonte: www.space.com
Fonte: Agência
