Um assessor da Casa Branca revelou que a escassez de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do secretário de Estado, Marco Rubio, a respeito das eleições no Brasil foi uma escolha deliberada para favorecer Flávio Bolsonaro, do PL. Informações sobre essa estratégia já tinham sido antecipadas pelos analistas de internacional da CNN Brasil, Américo Martins e Lourival Sant'Anna.
Com a confirmação de que Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, iriam disputar o segundo turno, a reação dos líderes norte-americanos foi contida. Enquanto Rubio se limitou a afirmar que acompanharia os desdobramentos, Trump se referiu ao resultado como uma vitória, mas sem entrar em detalhes.
De acordo com a fonte do Washington Post, a decisão de manter o silêncio foi influenciada pela natureza conturbada da campanha eleitoral no Brasil. "O pensamento era: 'Fiquem quietos'", afirmou o assessor, que optou por permanecer anônimo. A orientação foi evitar um apoio que pudesse ser prejudicial, considerando o uso político que Lula poderia fazer da situação, alegando interferência nas eleições.
A mesma fonte destacou que a Casa Branca buscava permitir que a corrida eleitoral continuasse sem criar a impressão de que os EUA estavam se intrometendo. "Conseguíamos ver isso nos dados", disse o assessor. "Toda vez que Lula usava Trump para alegar que os EUA estavam tentando abusar ou tirar vantagem, isso ressoava de forma positiva no público. Por outro lado, quando ele se afastava da comparação e focava nas questões internas, o ímpeto parecia diminuir."
No domingo (4), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comentou sobre a possibilidade de interferência externa, referindo-se ao envolvimento de aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa em programas de recompensas. Além disso, o governo americano já havia sancionado o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em julho de 2025, com base na Lei Magnitsky, em decorrência do julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, após a derrota nas eleições de 2022.
Essas sanções foram revogadas em dezembro, mas o financiamento a grupos no Brasil prossegue em meio a um clima de desconfiança sobre uma possível interferência de Washington nas eleições. Lula expressou sua preocupação com a atuação de Marco Rubio durante uma entrevista à âncora da CNN, Christiane Amanpour. Ele mencionou indícios de interferência envolvendo inteligência artificial e ressaltou que está "muito preocupado" com a aproximação de Rubio com o bolsonarismo, embora considerasse que, por ora, isso não passava de suspeitas.