O Irã pode considerar a possibilidade de prolongar o conflito com os Estados Unidos até que o presidente Donald Trump deixe o cargo, conforme afirmou Mohammad Reza Naqdi, assessor do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica. Naqdi destacou a importância de alcançar a dissuasão para garantir a segurança do país e sugeriu que prolongar a guerra poderia causar desgaste ao inimigo, levando à percepção de consequências severas para qualquer ataque ao Irã.
Naqdi, que atuou como vice-coordenador da Guarda Revolucionária de 2019 a 2025, enfatizou que a vitória está do lado do Irã, ao criticar a abordagem dos Estados Unidos no conflito, que, segundo ele, se caracteriza por uma “guerra sem estratégia.” O assessor ainda mencionou que a cada poucos dias surgem novos objetivos, como a invasão da Ilha de Kharg e a reabertura do Estreito de Ormuz, o que aponta para uma falta de direção nas ações americanas.
O assessor da Guarda Revolucionária declarou que, à medida que a guerra se prolonga, o Irã vai adquirindo mais experiência, ressaltando que o país nunca havia enfrentado uma guerra real antes. Nos últimos cinco meses, , o Irã aprendeu a lutar contra as forças americanas, que ele acredita serem mais fracas do que se imaginava. A experiência adquirida, segundo ele, é vital para a defesa do país.
Naqdi abordou também o bombardeio de navios no Estreito de Ormuz, afirmando que embarcações fora do controle do Irã podem estar transportando suprimentos para forças inimigas. Ele destacou a capacidade do Irã de fabricar mísseis, assegurando que o país produz mais mísseis do que utiliza diariamente, o que representa uma ameaça contínua para os Estados Unidos.
A situação no Oriente Médio se intensificou com a série de ataques retaliatórios do Irã e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de petróleo que corresponde a cerca de 20% do total mundial. O acúmulo militar americano na região, que começou semanas antes do início da guerra, gerou preocupações sobre uma possível escalada no conflito, especialmente após a invasão do Iraque em 2003.
Além disso, o início da guerra também se deu em um contexto de protestos em massa contra o regime iraniano, que ocorreram no mês anterior, impulsionados por descontentamento econômico e aumento dos custos de vida. O governo Trump havia tentado estabelecer um novo acordo nuclear com o Irã, mas as negociações falharam em evitar o conflito, levando a uma escalada militar.