A pesquisa sobre relacionamentos com chatbots gera controvérsias
Um estudo aponta que 30% dos adultos nos EUA já tiveram algum tipo de relacionamento com uma IA, mas a metodologia da pesquisa é questionada.
A pesquisa sobre relacionamentos com inteligência artificial (IA) revelou que aproximadamente 30% dos adultos nos Estados Unidos afirmaram ter tido ao menos um relacionamento romântico ou íntimo com uma IA. O estudo, que foi encomendado pelo Vantage Point, uma instituição de aconselhamento e terapia localizada no Texas, destaca uma tendência crescente entre os jovens em relação a romances virtuais com chatbots.
Metodologia e críticas
Apesar dos resultados alarmantes, a metodologia utilizada na pesquisa gerou polêmica. Foram entrevistados 1.012 adultos, mas a falta de transparência quanto ao processo de seleção dos participantes levanta dúvidas sobre a representatividade dos dados. Além disso, a pesquisa não foi revisada por outros especialistas, o que limita sua credibilidade. Muitos dos entrevistados podem ser clientes do serviço, o que introduz um viés relacionado a possíveis problemas nos relacionamentos.
Comparação com outros estudos
Outras pesquisas sobre o tema apresentam resultados bastante diferentes. Um estudo da Family Studies/YouGov indicou que apenas 1% das pessoas abaixo dos 40 anos possuem uma companhia de IA, enquanto 7% se mostraram abertas a essa possibilidade. Em paralelo, um levantamento do Match.com com o Kinsey Institute revelou que 15% dos participantes já interagiram com uma IA como uma companhia romântica. Essas divergências nos dados sugerem que a dependência emocional em relação aos chatbots pode ser menos significativa do que a pesquisa original sugere.
Casos trágicos e regulamentação
Nos últimos anos, ocorreram incidentes trágicos relacionados a interações com IAs. Há relatos de jovens que, após meses de interações com chatbots, tiraram suas próprias vidas, bem como de um idoso que se acidentou após seguir instruções de um chatbot sobre um encontro. Esses casos ressaltam a importância de um debate sobre regulamentação e as implicações emocionais de relacionamentos com IAs. A necessidade de proteger os usuários, especialmente crianças, de interações potencialmente prejudiciais é cada vez mais evidente.
As plataformas de IA, como o ChatGPT, têm diminuído a tendência de paqueras, especialmente após investigações e processos envolvendo empresas do setor.